Questões de Noções Gerais da Culpabilidade (Direito Penal)

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Lucas, Juiz de Direito, ministrou palestra aos novos servidores do Tribunal de Justiça do Estado Alfa, abordando a temática da absolvição sumária no contexto do procedimento comum ordinário.
De acordo com a narrativa e considerando as disposições do Código de Processo Penal, avalie se as hipóteses de absolvição sumária no procedimento comum ordinário incluem:

I. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, inclusive a inimputabilidade.
II. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato.
III. Falta de justa causa para o exercício da ação penal.

Está correto o que se afirma em

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C III, apenas.
  • D I e II, apenas.
  • E I, II e III.

Durante uma briga, Paulo, movido por forte emoção após ser ofendido, agrediu fisicamente seu colega de trabalho, causando-lhe lesões corporais. No processo penal, a defesa de Paulo alegou que ele não deve ser responsabilizado devido ao estado emocional em que se encontrava. Como o Ministério Público deve tratar a questão da emoção no caso de Paulo?

  • A A emoção atenua a pena, mas não exclui a culpabilidade de Paulo.
  • B A emoção agrava a pena, pois Paulo agiu de forma descontrolada.
  • C Paulo deve ser considerado inimputável, pois estava fora de si no momento do crime.
  • D A emoção exclui a culpabilidade, devendo Paulo ser absolvido.
  • E A emoção transforma o ato de Paulo em uma contravenção penal, não em crime.

São causas de exclusão de culpabilidade:

  • A a legítima defesa e a exigibilidade de conduta diversa.
  • B o exercício regular de direito e a potencial consciência da ilicitude.
  • C a obediência hierárquica e a coação moral irresistível.
  • D o estado de necessidade e o estrito cumprimento do dever legal.

João, no dia 14 de novembro de 2023, ingressou em um estabelecimento comercial e, mediante o emprego de uma arma de fogo, subtraiu o numerário existente no caixa, evadindo-se na sequência. Durante o processo penal, foi juntado, aos autos, um laudo pericial, em observância às formalidades legais, demonstrando que, à época dos fatos, João, em razão de uma determinada doença mental, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito da conduta que praticou.


Considerando as disposições do Código Penal e os entendimentos doutrinário e jurisprudencial dominantes, João será absolvido:

  • A impropriamente, em razão da inimputabilidade penal do acusado, excludente de culpabilidade;
  • B propriamente, em razão da inimputabilidade penal do acusado, excludente de culpabilidade;
  • C propriamente, em razão da inimputabilidade penal do acusado, excludente de tipicidade;
  • D impropriamente, em razão da inimputabilidade penal do acusado, excludente de ilicitude;
  • E propriamente, em razão da inimputabilidade penal do acusado, excludente de ilicitude.
Considere-se a seguinte afirmação doutrinária:
Para ser culpável, não basta que o fato seja doloso, ou culposo, mas é preciso que, além disso, seja censurável ao autor. O dolo e a culpa stricto sensu deixam de ser espécies de culpabilidade e passam a ser “elementos” dela. A culpabilidade se enriquece, pois, com novos elementos – o juízo de censura que se faz ao autor do fato e, como pressuposto deste, a exigibilidade de conduta conforme à norma. [...] “Dentro desta concepção [...] a culpabilidade é, pois, essencialmente, um juízo de reprovação ao autor do fato, composto dos seguintes elementos: imputabilidade; dolo ou culpa stricto sensu [...]; exigibilidade, nas circunstâncias, de um comportamento conforme ao direito. [...].” 
(TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios básicos de direito penal. 5ª ed., 8ª tiragem, São Paulo: saraiva, 2000, p. 223.)  

O texto anterior, quanto à evolução teórica da culpabilidade, refere-se à:  

  • A Teoria finalista da ação, de base ontofenomenológica.
  • B Teoria da coculpabilidade, radicada no funcionalismo sistêmico.
  • C Pretensão de reprovação, vinculada à teoria significativa da ação.
  • D Concepção psicológico-normativa da culpabilidade, orientada pelo neokantismo.