Questões comentadas de Concursos da Prefeitura de Itapiranga

Limpar Busca

Ao compreendermos o desenvolvimento infantil como um processo historicamente situado, no qual dimensões cognitivas, afetivas e sociais se constituem de forma interdependente, a Psicologia da Educação afasta-se de explicações baseadas exclusivamente na maturação biológica ou em disposições individuais. Nessa perspectiva, a criança é entendida como sujeito ativo, cuja formação ocorre por meio das interações simbólicas mediadas pela linguagem, pela cultura e pelas práticas educativas. A partir dessas considerações, entende-se que o desenvolvimento infantil, no campo da Psicologia da Educação:

  • A Decorre prioritariamente de estágios universais e invariáveis, nos quais os fatores sociais exercem influência secundária, cabendo à educação apenas acompanhar o ritmo natural de maturação do sujeito.
  • B Constitui-se como um processo relacional e mediado, no qual as funções psicológicas se desenvolvem a partir das interações sociais, sendo a aprendizagem um elemento que reorganiza qualitativamente o desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança.
  • C Resulta da adaptação progressiva da criança a estímulos externos, sendo a dimensão afetiva considerada acessória e pouco relevante para a organização das estruturas cognitivas ao longo da infância.
  • D Pode ser explicado de forma satisfatória pela soma de capacidades intelectuais individuais, independentemente das experiências culturais e das relações estabelecidas nos contextos educativos formais e informais.

Com base nos princípios que orientam a atuação do segundo professor em turmas inclusivas com estudantes surdos, conforme os fundamentos da prática pedagógica bilíngue e os marcos legais da educação especial no Brasil, analise as afirmativas a seguir:

I.A atuação do segundo professor requer construção dialógica constante com o docente regente, visando ao entrelaçamento dos tempos pedagógicos e ao respeito às especificidades linguísticas e culturais do estudante surdo no processo educativo.


II.A mediação realizada pelo segundo professor é centrada no apoio técnico às atividades propostas em sala, priorizando a adaptação formal dos conteúdos e reduzindo interferências que possam afetar a condução geral da aula pelo titular.


III.A inserção do segundo professor deve contribuir para a ampliação das formas de significação no ambiente de aprendizagem, promovendo reorganizações discursivas que favoreçam a participação ativa do estudante surdo nas interações escolares.


É correto o que se afirma em:

  • A I e II, apenas.
  • B II e III, apenas.
  • C I e III, apenas.
  • D I, II e III.

A partir da leitura atenta do texto "Uma Dose", é possível observar uma estrutura narrativa que, embora breve, articula diferentes níveis de temporalidade e espacialidade, evocando sensações, memórias e elementos da cultura regional brasileira. Considerando os mecanismos discursivos empregados, os efeitos de sentido gerados e os recursos linguístico-textuais utilizados, assinale a alternativa que apresenta a interpretação mais adequada ao funcionamento dos elementos implícitos e à lógica interna do texto.

  • A A voz narrativa distancia-se emocionalmente do conteúdo relatado, assumindo postura analítica ao resgatar lembranças do passado, numa tentativa de compreender racionalmente os traumas associados à migração e ao luto.
  • B A estrutura narrativa do texto pauta-se na linearidade cronológica, com encadeamento progressivo dos eventos que conduzem a um clímax emocional associado ao rompimento com a cultura de origem e à aceitação de um novo ambiente sociolinguístico.
  • C A presença de regionalismos linguísticos e marcas culturais no texto cumpre função meramente estilística e descritiva, não interferindo na progressão temática nem contribuindo significativamente para a construção do enredo ou da memória afetiva.
  • D O texto revela, por meio da justaposição entre cenas cotidianas e fragmentos de memória, um processo de evocação afetiva que se ancora em elementos culturais e sensoriais, permitindo à narradora reconstruir a presença ausente não pela explicitação direta da perda, mas pela ativação de um tempo psicológico que rompe com a linearidade cronológica.

O processo de escolarização de pessoas surdas tem atravessado mudanças significativas ao longo dos séculos, refletindo diferentes compreensões sobre a surdez, o sujeito surdo e sua relação com a linguagem e o conhecimento. Desde os primórdios do oralismo, baseado na supressão da língua de sinais em favor da fala, até a proposta da educação bilíngue, que reconhece a Libras como primeira língua do surdo e o português escrito como segunda, observa-se um deslocamento teórico importante, com implicações pedagógicas, filosóficas e socioculturais. Nesse contexto, abordagens como a comunicação total, ainda presentes em muitas instituições, revelam a persistência de práticas que oscilam entre a assimilação e o reconhecimento da diferença.


Com base nessas informações, considera-se que:

  • A A comunicação total, ao combinar múltiplos recursos linguísticos e semióticos, configura uma prática pedagógica plenamente alinhada aos princípios da educação bilíngue, por assegurar a equidade linguística entre ouvintes e surdos em sala de aula.
  • B A adoção de Libras nas escolas representa um recurso complementar e temporário, cuja função é facilitar o desenvolvimento da linguagem oral, objetivo prioritário do processo educacional voltado à integração do surdo na sociedade.
  • C O oralismo, ao possibilitar o uso da fala e da leitura labial, garante aos estudantes surdos plena autonomia linguística e cognitiva, dispensando o uso de línguas sinalizadas no ambiente escolar e social.
  • D A educação bilíngue se fundamenta no reconhecimento da surdez como diferença linguística e cultural, propondo práticas pedagógicas centradas na Libras como língua de instrução e na valorização da identidade surda como base do processo educativo.

No campo da educação bilíngue para surdos, consolidou-se a noção de que a experiência surda transcende categorias biomédicas, remetendo a formas próprias de produção de sentidos e construção de pertencimento. Nessa perspectiva, o professor ouvinte não é concebido como mero transmissor de conteúdos, mas como agente situado num espaço linguístico e cultural tensionado por diferenças. A partir dessa abordagem, é correto afirmar que:

  • A O reconhecimento das singularidades culturais da comunidade surda implica que o professor ouvinte atue como facilitador de transição linguística, promovendo o equilíbrio funcional entre códigos de comunicação distintos e complementares.
  • B A proposta bilíngue exige do professor ouvinte uma postura formativa que enfatize a acessibilidade pedagógica universal, privilegiando estratégias instrucionais multissemióticas com foco em adequações metodológicas neutras e objetivas.
  • C A atuação docente em contextos visuais sinalizadores implica reconfigurar relações de saber, reconhecendo na cultura surda um campo epistemológico legítimo, em que a experiência linguística do surdo é fundante do processo pedagógico.
  • D Em contextos bilíngues, o engajamento do professor ouvinte com práticas pedagógicas inclusivas deve preservar a neutralidade identitária, de modo a evitar tensionamentos discursivos que comprometam a imparcialidade educacional.