Canção Final
Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Canção Final.
Disponível em:<http://zip.net/bkksnp>
Quanto às formas destacadas no texto, é CORRETO afirmar que:
- A “claudicam” (linha 3) e “vão” (linha 14) são verbos que sempre precisam de complementos.
- B “vou-me” e “me vão” (linha 13) têm o mesmo sentido no contexto analisado. O poeta pode usar uma ou a outra para fazer-se entender. O que se difere entre tais formas é que a primeira está em ênclise enquanto a segunda está em próclise.
- C pode-se substituir a palavra “códigos” (linha 9) por “preceitos” sem que haja perda de sentido.
- D “mas” (linha 2) e “e” (linha 7) são conjunções que transmitem ideias explicativa e aditiva, respectivamente.