Questões de Marketing Socialmente Responsável (Publicidade e Propaganda)

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Recentemente, a questão da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável tem ganhado espaço nas empresas, como se pode ler abaixo, no extrato de uma matéria do Estadão:

A agenda ESG [...] avança com mais rapidez dentro de uma empresa quando o responsável pela sustentabilidade tem acesso direto ao CEO e uma vaga no comitê executivo da companhia, apontou uma pesquisa realizada pela consultoria Russell Reynolds Associates. Contudo, o levantamento também revelou que a realidade da maioria das companhias [é] bastante diferente: apenas 20% dos CSO (chief sustainability officer, chefes de sustentabilidade) reportam seus planos diretamente aos CEOs. [...] A aplicação do ESG ao plano de negócios faz a diferença para que as novas atitudes sejam de fato aplicadas, e não apenas para marketing. [...]. “Não adianta ter área se o CEO e o conselho não estão ligados na agenda. Uma vez que [se] vê uma conexão com a estratégia maior da empresa, a coisa muda de figura”, relata Montana. A principal mudança ocorre quando não se vê o tema apenas pela questão reputacional, e sim como uma parte dos negócios, capaz de gerar valor.

SANTOS, L. F. Empresas com chefe de sustentabilidade próximo do CEO avançam mais facilmente na agenda ESG. Estado de S. Paulo, 26 maio 2023. Disponível em: https:// www.estadao.com.br/economia. Acesso em: 10 set. 2023. Adaptado.

A sigla ESG, presente no texto acima, refere-se às

  • A novas diretrizes políticas defendidas por economistas neoliberais e, na sigla, as letras correspondem, respectivamente, à: estabilidade, segurança e governabilidade.
  • B novas disciplinas que, atualmente, lideram o campo da governabilidade empresarial: estatística, semiologia e geopolítica.
  • C bases administrativas que contemporaneamente são mais valorizadas pelas marcas de melhor posicionamento no mercado internacional: entrega, segurança, generosidade.
  • D diretrizes e recomendações que objetivam integrar aspectos ambientais, sociais e de governança empresarial, que, em inglês, correspondem respectivamente a environmental, social e governance.
  • E políticas ambientais recém-aprovadas na ONU, correspondendo, cada letra da sigla, respectivamente a: ecologia, segurança e globalidade.

Há basicamente três razões para que as organizações tenham buscado melhorar sua performance ambiental: o regime regulatório internacional está mudando em direção às exigências crescentes em relação à proteção ambiental; o mercado está mudando (tanto de fatores quanto de produtos); e o conhecimento está mudando, com crescentes descobertas e publicidade sobre as causas e consequências dos danos ambientais, de acordo com Souza (2002). Assim, a gestão ambiental empresarial é atualmente condicionada pela pressão das regulamentações, pela busca de melhor reputação, pela pressão de acionistas, investidores e bancos para que as empresas reduzam seu risco ambiental, pela pressão de consumidores e pela própria concorrência.

MACEDO, K. B.; OLIVEIRA, A. A gestão ambiental nas organizações como nova variável estratégica. In: Revista Psicologia, Organizações e Trabalho. Florianópolis, 2005, v. 5, n. 1.


Considerando-se os critérios e as diretrizes ESG, os seguintes fatores contribuem para uma gestão ambiental eficiente:

  • A clareza na definição do processo decisório (em consonância com a missão, os valores e o propósito do negócio), transparência (accountability) e responsabilidade corporativa.
  • B subordinação do Conselho Administrativo aos CEO da companhia; sigilo sobre as diretrizes e decisões corporativas; ausência de fiscalização externa.
  • C autonomia e independência entre os mecanismos de governança e a gestão de risco; opacidade na relação com órgãos de fiscalização externa e auditorias internas.
  • D sigilo sobre as diretrizes e decisões corporativas; autonomia e independência do Conselho Administrativo, dispensa de métricas e indicadores e metas socioambientais.
  • E transparência (isto é, accountability); responsabilidade corporativa e subordinação do Conselho Administrativo à diretoria da organização.

Considere o texto abaixo sobre a relação entre publicidade e sustentabilidade.

Alguns anos atrás, as mudanças climáticas eram assunto de cientistas e ambientalistas e eram consideradas um problema que só causaria impacto para as futuras gerações. Hoje, estamos sentindo as consequências das mudanças climáticas [...]. Isso significa que precisamos fazer uma revolução nos padrões de produção e consumo [...] para garantir que todos tenham acesso a bens e serviços que satisfaçam as suas necessidades sem que isso comprometa a capacidade do planeta de se manter saudável, ou melhor dizendo, viável para a nossa espécie. [...] Nossa sociedade é chamada de “sociedade do consumo” porque consumir se tornou uma atividade cotidiana que foi além da ideia inicial de satisfazer necessidades para se tornar até uma doença. [...] O consumismo não existiria sem a publicidade, ferramenta fundamental para influenciar padrões de consumo, formar estilos de vida [...]. A publicidade é a ponte entre a produção e o consumo.

GUNN, L. Sustentabilidade, consumo e publicidade. In: Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação. TRIGUEIRO, André (Org.). Rio de Janeiro: Globo, 2005.

A partir do texto, considere as afirmativas a seguir sobre a relação entre publicidade e sustentabilidade.

I - Como a publicidade faz a mediação entre a produção de bens e o seu consumo, ela é peça fundamental na disseminação da agenda sustentável, e um de seus maiores desafios atuais é evitar o chamado greenwashing, que é a prática de ocultar dados sobre os reais impactos socioambientais, ou mesmo propagar informações falsas sobre uma marca ou um produto.

II - A sustentabilidade é uma responsabilidade do setor público (pela promoção de políticas públicas) e do setor privado, em especial das empresas produtoras de bens de consumo, de maneira que não é papel do profissional de publicidade interferir na valorização da pauta da proteção ambiental e do consumo consciente.

III - Em que pese a importância da publicidade na geração e na promoção de hábitos de consumo, seu impacto é irrelevante, pois os maiores desafios para o combate ao aquecimento global não dizem respeito às atitudes individuais de cada consumidor, mas à gestão empresarial ambiental nas organizações de produção em larga escala.

É correto APENAS o que se afirma em

  • A I
  • B II
  • C III
  • D I e II
  • E II e III

Um vídeo sugerindo a redução no consumo de carne deveria ajudar um banco brasileiro a divulgar seu aplicativo que calcula pegadas de carbono, mas acabou com um pedido de retratação e, pelo menos, cinco churrascos organizados por pecuaristas em frente às agências da instituição. O episódio começou com um vídeo que circulou nas redes sociais, no qual três influenciadoras dão dicas de como ter hábitos mais sustentáveis e recomendam a adesão ao movimento conhecido como “Segunda sem carne”. O material publicitário irritou alguns representantes ruralistas, o que levou o banco a retirar o vídeo do ar e a escrever uma carta aberta se retratando.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/01/entenda-o-que-o-churrasco-nobradesco-revela-sobre-as-publicidades-esg.shtml. Acesso em: 12 jun. 2022 (adaptado).

A partir do texto apresentado, bem como dos princípios de planejamento de comunicação integrada e marketing, avalie as afirmações a seguir.
I. O acompanhamento das principais tendências de consumo na sociedade, a exemplo da Agenda ESG (Ambiental, Social e de Governança, em português), é fundamental ao desenvolvimento de campanhas publicitárias.
II. A atitude do banco de retirar a campanha publicitária do ar, cedendo àqueles que protestaram contra sua veiculação, impacta na imagem da empresa junto ao público que é adepto a causas relacionadas à sustentabilidade.
III. O planejamento da comunicação integrada envolve os setores de marketing, assessoria de imprensa e relações públicas que atuam juntos pelo fortalecimento da reputação de uma marca e pelo bom relacionamento com o público, o que inclui a gestão de crises, como a que foi desencadeada pelo vídeo do banco.

É correto o que se afirma em

  • A I, apenas.
  • B II, apenas.
  • C I e III, apenas.
  • D II e III, apenas.
  • E I, II e III.
Um dos aspectos que motivam a crítica social às marcas é a exploração econômica de uma mão de obra de baixo custo e mal protegida. O deslocamento da produção para países emergentes ocasionou abusos flagrantes: horários de trabalho excessivos, trabalho infantil, maus tratos, condições de trabalho degradantes. Muitas marcas escolheram claramente delegar a produção e a responsabilidade local, sem verificar se as condições mínimas de respeito e de dignidade dos trabalhadores estavam garantidas. Quando estourou o escândalo, a linha de defesa das marcas foi a de negar a responsabilidade direta dos fatos, fazendo-a recair sobre os gerentes locais, ou afirmando respeitar a legislação trabalhista do país, sem mencionar que em geral essa legislação era quase inexistente. Os movimentos de opinião pública, que chegaram a proclamar o boicote de algumas marcas, obrigaram-nas a uma atitude mais madura e mais responsável e a engajar-se em um controle mais estreito das condições de trabalho, a partir de padrões mais próximos daqueles em vigor nos países industrializados. SEMPRINI, A. A marca pós-moderna: poder e fragilidade da marca na sociedade contemporânea. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010 (adaptado).

Considerando esse texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I. No contexto atual, é necessário que os componentes de uma marca sejam observados em uma perspectiva ampliada e integrada, e não de maneira compartimentada ou isolada.

PORQUE

II. Em uma sociedade em rede, midiatizada, o erro em qualquer um dos aspectos relacionados às marcas, como, por exemplo, o seu papel social, passa despercebido ou é rapidamente esquecido pela facilidade de retirada do conteúdo negativo do sistema.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
  • A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
  • B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
  • C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  • D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  • E As asserções I e II são proposições falsas.