Questões de A Experiência do Sagrado (Filosofia)

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Analise o trecho a seguir:


“Quanto ao que concerne o mal moral, o problema parece mais difícil de ser resolvido. Se as ações dos homens não são sempre o que deveriam ser, sua vontade é a responsável. O homem escolhe livremente suas decisões e é por ser livre que é capaz de fazer mal. A questão é, portanto, saber como um Deus perfeito pôde doar-nos o livre-arbítrio, ou seja, uma vontade capaz de fazer o mal. Assim colocado, o problema volta a ser saber se e em que medida a vontade livre pode ser contada entre o número dos bens. A resposta para essa questão não poderia ser diferente da que concerne aos objetos corporais. No mundo dos corpos, há muitas coisas das quais podemos fazer mau uso; isso não é razão para dizer que elas são más e que Deus não deveria tê-las nos dado, pois, tomadas em si mesmas, elas são bens. Por que não haveria na alma bens do mesmo gênero, ou seja, dos quais poderíamos fazer mau uso e que, contudo, uma vez que são bens, não podem ter sido dados a nós senão pelo autor de todo bem? É uma grave diminuição para um corpo humano ser privado de suas mãos; as mãos são algo bom e útil; contudo, aquele que comete com elas ações criminosas ou vergonhosas usa-as mal” (Gilson, 2007).


Com base na leitura do trecho acima e no conhecimento do pensamento de Santo Agostinho, analise as seguintes assertivas:


I. O livre-arbítrio, embora seja um dom divino, não é um bem absoluto; ele é um bem intermediário, cujo valor depende do uso que o homem dele faz.


II. O mal moral, segundo Santo Agostinho, não deriva de Deus, mas do mau uso da vontade livre pelo próprio homem.


III. A vontade livre é boa por natureza e necessária para a vida virtuosa, mesmo sendo potencialmente perigosa, pois pode inclinar-se ao mal.


IV. A existência do mal comprova que Deus não poderia ser o autor do livre-arbítrio, já que um dom verdadeiramente divino não deveria permitir o mal.


V. Assim como os órgãos corporais, que podem ser mal utilizados, a vontade também pode ser pervertida, mas continua sendo um bem criado por Deus.



Quais estão corretas?

  • A Apenas I, II e IV.
  • B Apenas I, III e V.
  • C Apenas II, III e IV.
  • D Apenas III, IV e V.
  • E Apenas I, II, III e V.

Um dos esforços filosóficos e teológicos mais célebres da história da filosofia é aquele empreendido por Tomás de Aquino no sentido de provar a existência de Deus. Para isso, utilizou-se de cinco vias. Sobre elas, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) Movimento: parte da consideração de que tudo o que se move é movido por outro e que, portanto, para não terminar em um regresso ao infinito que nada explicaria, é preciso admitir algo que move e que não é movido por nada: e este é Deus.
( ) Causa: constata que nenhuma coisa pode ser causa de si mesma e, assim, deduz o fato de que deve existir uma causa primeira e não causada, que produz e não é produzida, que se identifica com o ser que se chama Deus.
( ) Contingência: parte do princípio de que o que pode não ser não existia a um certo tempo; assim, nem tudo é contingente, mas é preciso que haja algo necessário, e é aquilo que costumeiramente se chama Deus.
( ) Graus de perfeição: deduz, da constatação empírica de uma gradação de perfeições, a existência de uma suma perfeição, que é justamente chamada Deus.
( ) Finalismo: parte da constatação de que os corpos físicos operam para um fim e deduz que eles agem de tal modo porque são dirigidos por um ser inteligente, como a flecha do arqueiro. O ordenador supremo é aquele que chamamos Deus.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  • A F – F – F – F – F.
  • B V – F – V – F – V.
  • C F – V – F – V – F.
  • D V – V – F – F – V.
  • E V – V – V – V – V.

Embora continuasse a valorizar a fé como instrumento de conhecimento, Tomás de Aquino não desconsidera a importância do “conhecimento natural”. Se a razão não pode conhecer, por exemplo, a essência de Deus, pode, no entanto, demonstrar sua existência ou a criação divina do mundo.

(Aranha e Martins, 2009. Adaptado)

Segundo Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, para Tomas de Aquino, uma dessas provas revela que

  • A o argumento ontológico permite compreender a infinita perfeição divina.
  • B a indemonstrabilidade da existência de Deus resulta do pecado original.
  • C o movimento do mundo é explicado por Deus enquanto causa incausada.
  • D as leis lógicas possibilitam a compreensão integral da natureza divina.
  • E a existência de Deus e da alma indicam as antinomias da razão pura.

Após uma detalhada consideração da natureza do signo e do processo de comunicação na obra De magistro, santo Agostinho conclui, na linha das concepções tradicionais na Antiguidade que, dada a convencionalidade do signo linguístico – isto é, as palavras variam de língua para língua e são sinais arbitrários das coisas –, este não pode ter qualquer valor cognitivo mais profundo; não é através das palavras que conhecemos; logo não podemos transmitir conhecimento pela linguagem. A possibilidade de conhecer supõe algo de prévio, que torna inteligível a própria linguagem.

(Marcondes, 2010. Adaptado)

Segundo Danilo Marcondes, para santo Agostinho, a possibilidade de conhecer é resgatada

  • A pelo método dialético.
  • B pelo argumento ontológico.
  • C pela teoria da reminiscência.
  • D pela hipótese da abdução.
  • E pela teoria da iluminação.

Dentre os temas abordados por Santo Agostinho na obra Confissões, se destaca a abordagem que ele faz sobre o autoconhecimento e o conhecimento de Deus.
Para o autor, em sua vida temporal, o ser humano pode se autoconhecer

  • A de modo pleno, mas jamais conhecerá plenamente a Deus.
  • B de modo pleno e poderá conhecer plenamente a Deus.
  • C em parte e poderá conhecer Deus em parte.
  • D em parte, mas jamais conhecerá algo de Deus.