Questões de São Tomás e a Filosofia Medieval (Filosofia)

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Em sua obra A Filosofia na Idade Média, Gilson afirma que “Desde as origens patrísticas até o fim do século XIV, a história do pensamento cristão é a de um esforço incessantemente reencetado para manifestar a concordância entre a razão natural e a fé, onde ela existe, e para realizá-la, onde não existe”


GILSON, E. A Filosofia na Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 939.


Sobre as diferentes perspectivas acerca da relação entre fé e razão na filosofia medieval, é correto afirmar que

  • A a conversão de Santo Agostinho ao cristianismo, que transformou radicalmente sua vida, o levou a perceber que a fé pode prescindir da filosofia.
  • B a expressão "credo quia absurdum”, atribuída a Tertuliano, indica uma aproximação entre o cristianismo e a filosofia grega.
  • C apenas a filosofia e a razão natural, segundo Averróis, atingem propriamente a verdade, sendo a religião revelada capaz de atingir um grau de verdade que é inferior e subordinado.
  • D Anselmo de Aosta, no momento em que, dirigindo-se a Deus, declara que “Não procuro compreender-te para crer, mas creio para poder te compreender", expressa a visão de que a fé deve ser separada da filosofia, pois não pode ser esclarecida por ela.

De acordo com Kenny, Porfírio é o grande responsável por estabelecer os termos para o debate medieval sobre o problema dos universais

KENNY, A. Uma Nova História da Filosofia Ocidental. São Paulo: Edições Loyola, 2008. v.1, p. 145.


Sobre as posições oferecidas na filosofia medieval acerca do problema dos universais, analise as afirmativas a seguir:

I. Abelardo é conhecido como um dos proponentes de uma posição realista segundo a qual os universais são entes reais.
II. Nominalistas defendem que palavras como “homem” são convencionais e não têm uma existência independente da mente.
III. Tomás de Aquino rejeita a visão platônica segundo a qual universais têm uma existência independente das coisas concretas.
IV. Guilherme de Ockham é conhecido como um expoente do nominalismo.

Estão corretas apenas as afirmativas

  • A I, III e IV.
  • B II, III e IV.
  • C II e IV.
  • D I e II.

São Boaventura e Santo Tomás de Aquino são dois clássicos da escolástica. Leão XIII falou deles como “due olivae et duo candelabre in domo Dei Lucentia” (duas oliveiras e dois candelabros resplandecentes na casa de Deus).

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia. 2. Ed. São Paulo: Paulus, 2005. v. 2, p. 261.

São Boaventura diferencia-se de Santo Tomás de Aquino por

  • A não defender a autonomia da natureza perante a sua raiz divina.
  • B defender o fideísmo agostiniano contra o racionalismo aristotélico.
  • C não defender a distinção ontológica entre o ser em si e o ser participado.
  • D defender o panteísmo próprio do pensamento franciscano.

No contexto da influência do pensamento islâmico sobre a filosofia cristã medieval, a teoria da dupla verdade de Averróis causou impacto na controvérsia em torno da e da razão.

Segundo esta teoria, é correto afirmar que

  • A a razão é superior à fé, sendo a única fonte confiável de verdade em questões metafísicas e morais.
  • B a fé e a razão apresentam verdades contraditórias, sendo impossível conciliar teologia e filosofia.
  • C a teologia é suficiente para compreender toda a verdade, sendo a filosofia um complemento secundário.
  • D a fé e a razão podem conduzir a verdades diferentes, mas ambas são válidas e coexistem.
  • E a razão deve ser subordinada à fé, pois a alma humana só alcança a verdade mediante revelação.

Para Tomás de Aquino, os entes criados são contingentes e dependem ontologicamente de dois princípios: a essência e a existência. No caso de Deus, por outro lado, essência e existência coincidem.

No caso das criaturas, estes dois conceitos designam, respectivamente

  • A a finalidade do ente e os meios que o conduzem ao seu propósito.
  • B o que o ente é por sua natureza e o ato pelo qual ele vem a ser.
  • C a forma do ente e as mudanças que ele sofre ao longo do tempo.
  • D o princípio que põe o ente em movimento e sua atividade constante.
  • E a materialidade do ente e sua aptidão para ser causa de outros.