Resumo de Filosofia - Sofistas

Mestres da argumentação e da retórica

Os sofistas eram conhecidos com professores itinerantes. Eles recebiam essa denominação porque percorriam as cidades, se deslocando de um lugar para o outro, ensinando às pessoas a arte da retórica e outros artifícios argumentativos.
Os sofistas (praticantes do sofismo ou sofisma) atuaram durante a Grécia Antiga, em um período em que os cidadãos estavam muito interessados em aspectos da vida pública e política. Por isso, seus ensinos, que envolviam a argumentação pública, retórica e oratória encontrou tantos adeptos. É importante ressaltar que o trabalho realizado pelos sofistas não era gratuito. Todas as aulas eram concedidas mediante pagamento.

Conhecendo o sofismo


Boa parte do que se conhece hoje sobre esse grupo de itinerantes foi registrada por Aristóteles e Platão, filósofos que combatiam o pensamento sofista. Isso porque, na filosofia, o sofismo é comparado com a falácia ou um silogismo. O que isso quer dizer? Que o pensamento sofista se baseava na defesa de argumentos, ainda que falsos, para defender uma ideia. 

Diferente da lógica aristotélica, por exemplo, em que para se chegar a uma conclusão verdadeira, a premissa deve ser verdadeira, o sofismo está preocupado em vencer as discussões pela defesa do argumento, ainda que estes não fossem válidos. Ou seja, a busca pela verdade não era o objetivo, até porque, os sofistas a consideravam relativa, mas o convencimento da verdade

Foi por isso que o termo “sofista” que originalmente significava “sábio”, passou a ser sinônimo de falseamento intelectual. Aristóteles chegou até a definir o sofismo como uma sabedoria aparente, mas irreal. 
Observando tantos pontos negativos para esta prática, fica difícil entender como o pensamento sofista pôde influenciar tanto a sociedade grega. A resposta para esse questionamento pode estar em três elementos importantes: o contexto histórico, social e político daquele período.
Na época do regime de Péricles, não havia um sistema público de ensino superior, por isso, muitos cidadãos atenienses (os que não podiam pagar pelo ensino particular) recorriam aos sofistas, acreditando que, através de seus ensinamentos, conseguiriam encontrar soluções ou respostas para os problemas da vida adulta. 
Um outro aspecto relevante é que o sofismo concedia, ao menos, uma noção do exercício da democracia e do uso do diálogo em casos de conflitos de interesse. Assim sendo, o sofismo e sofistas não se referem a uma corrente filosófica/filósofos que defendem essa ideia, mas a uma prática. 
Embora existam muitas polêmicas envolvendo os sofistas, é importante destacar o papel dessa prática dentro da história da filosofia. O trabalho desse grupo foi responsável pela valorização da retórica, o que foi muito importante para a política ateniense nos períodos posteriores.


Principais sofistas

Não se sabe ao certo quais foram os primeiros sofistas, mas existem alguns praticantes do sofismo que se destacam na história, a exemplo de Protágoras. Inclusive, o próprio Protágoras teria admitido que a sofística era muito praticada, mas com métodos distintos do seu, e em alguns casos o sofismo também é identificado apenas como retórica, por isso é tão difícil precisar com facilidade quais foram os pioneiros nessa prática. Ainda assim, é possível destacar os trabalhos de:
Protágoras – Nasceu no ano de 490 a.C. em Abdera e é considerado por muitos autores como sendo o primeiro sofista. Entre as diversas hipóteses levantadas por ele, Protágoras afirmava que “o homem era a medida de todas as coisas”. Sua afirmação foi base para o relativismo, no qual cada indivíduo interpreta uma coisa de sua forma específica. É como se não houvesse a possibilidade de um pensamento universal, mas as coisas são da forma como aparecem a cada pessoa, em sua dimensão individual. Por isso não há como conhecer o verdadeiro e separá-lo do falso, não existe o belo e o feito, esses conceitos são relativos e dependem da subjetividade e individualidade de cada um. 
Hípias de Élis – Era um sofista especialista natural da Grécia. Além de filósofo, era um matemático e sabia dialogar sobre vários assuntos como poesia, astronomia. Hípias deu importantes contribuições para a área da geometria e dentro da filosofia, versava sobre o relativismo moral, a universalidade da virtude e a defesa do igualitarismo. 
Trasímaco – Esse personagem ficou muito conhecido através de uma declaração na qual afirmava que “a justiça seria apenas a vantagem do mais forte”. Trasímaco questionava a relação entre a justiça, a cidade e o governo. Para ele, os governantes almejavam o poder apenas para benefício próprio e não em favor dos governados. De igual modo, a justiça era utilizada pelos governantes para que eles tivessem vantagens. 
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