Resumo de Filosofia - Alienação

A origem do conceito e suas implicações para pensamento social


Etimologicamente, a palavra alienação tem origem no latim e quer dizer "tornar alguém alheio a alguém". Como conceito filosófico, o termo foi pensado, pela primeira vez, pelo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Em seu pensamento, essa é uma característica essencial ao homem, que está associada às suas potencialidades e aos objetos que ele cria. Ou seja, para Hegel, a ideia de alienação está associada ao trabalho.

Atualmente, o termo é usado em diferentes áreas do conhecimento, como direito, economia, psicologia, antropologia, sociologia e comunicação. Nesse artigo, vamos nos aprofundar um pouco no estudo do conceito filosófico e em suas implicações para a produção do pensamento contemporâneo sobre a sociedade e as formas como os indivíduos se relacionam entre si e com as estruturas às quais estão submetidos.

O conceito de alienação


De acordo com o pensamento de Hegel, quando um indivíduo produz algo, sua potencialidade é transferida para a coisa produzida. E, dessa forma, cria-se uma relação de identificação entre diferentes sujeitos a partir do produto da criação. Nesse contexto, a cultura seria capaz de promover a alienação. Mas esse processo também pode se dar a partir da criação de objetos físicos, produtos culturais e instituições sociais




Como consequência da transmissão de sua potencialidade para a coisa criada, o homem torna-se vazio. Desse modo, o processo de alienação, na perspectiva filosófica, é visto a partir dessa associação que se estabelece com uma espécie de vazio existencial. O indivíduo alienado não tem consciência de si mesmo, ele perde seu valor, seus interesses, sua vitalidade e individualidade. Agora ele próprio se torna uma coisa, objeto (daí o nome de objetificação para um dos processos pelos quais acontece a alienação), que está alheio de si mesmo.
Esse processo que acontece em uma dimensão individual apresenta reflexos na relação que o alienado passa a ter com a totalidade das coisas e das estruturas às quais está submetido. Quando perde a conexão com sua própria individualidade, o sujeito também perde dimensão da complexidade das coisas e deixa de compreender as forças externas que interferem no contexto em que ele está situado. Essa dimensão da alienação é explorada na obra de Karl Marx, quando ele fala do trabalho alienado, que trataremos logo mais neste artigo.

Trajetórias até a elaboração do conceito 


Muitos pensadores clássicos e contemporâneos veem a alienação como um processo inerente às relações sociais, que se manifesta pelo distanciamento e isolamento entre os sujeitos ou entre um determinando sujeito e um determinado grupo. Para alguns, o conceito já estaria presente nos escritos bíblicos do Velho Testamento através da ideia de idolatria. Também há teóricos que acreditam que a ideia do pecado original e de redenção apresenta elementos semelhantes aos que serão elaborados por Hegel.
Mas é em Platão que a maioria dos pensadores acreditam residir as bases para o conceito proposto pelo filósofo alemão. Isso se justifica porque o pensador grego via o mundo natural como uma imagem defeituosa do mundo das ideias. Ou seja, havia um deslocamento entre aquilo que existia como potencial e o que efetivamente era criado. Outro aspecto do pensamento do filósofo que reforça essa conexão com o conceito de alienação proposto por Hegel é a ideia de que cada membro da Polis deveria estar em acordo com o todo, criando uma harmonia semelhante à que deveria haver entre razão, emoção e os sentidos. 

As contribuições de Marx


O sociólogo alemão Karl Marx é um dos grandes responsáveis pela popularização do termo alienação. A partir da leitura dos trabalhos de Hegel, ela vai propor uma utilização do termo mais sintonizada com a realidade material vivida pelos trabalhadores após a Revolução Industrial. A partir das reflexões que faz em seu mais famoso livro, "O capital", escrito em 1867, ele explica as relações sociais criadas pelo capitalismo. Nesse contexto, a alienação se dá pela fragmentação da atividade e pela apropriação do fruto do trabalho por terceiros.
Em sua crítica ao sistema capitalista, Marx descreve um modo de produção capaz de desumanizar o trabalhador, ao mantê-lo alienado das relações em que seu trabalho está inserido. Para ele, o trabalho alienado acontece a partir do momento em que os meios de produção deixam de ser de posse do trabalhador, que agora, da mesma forma que as ferramentas e o maquinário, é parte de uma linha de produção. Dentro do sistema industrial capitalista, o trabalhador é um instrumento para gerar lucro aos donos dos meios de produção. 
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