Resumo de Filosofia - Senso Comum

Um saber adquirido através de experiências

O senso comum pode ser definido como um conhecimento comum a todos, ou seja, é uma forma de raciocinar, entender e pensar sobre algo na qual pessoas de determinados grupos fazem da mesma forma. Esse tipo de conhecimento é adquirido através da observação, das vivências pessoais e coletivas e é passado de geração em geração. 
O senso comum se concretiza através da sabedoria popular, através da repetição cultural. Por ser baseado no empirismo (conhecimento prático adquirido por experiência), ele não depende de métodos científicos ou reflexivos, como é o caso do senso crítico. Por isso, não se pode afirmar que todas as coisas baseadas no senso comum são verdadeiras ou falsas. 
Embora atualmente esteja vulgarizado, o conhecimento popular foi muito importante na construção das sociedades. Foi por meio do senso comum que muitas técnicas medicinais conhecidas atualmente foram reproduzidas por anos e anos. E foi também através dos métodos empíricos que as primeiras técnicas agrícolas foram desenvolvidas.
Mas será que a experiência pode ser considerada como uma das formas de conhecimento? Através dela é possível ter uma compreensão do mundo e da funcionalidade das coisas? Essas perguntas remontam às discussões dos grandes filósofos da Antiguidade. Se você tem essas dúvidas e quer entender melhor quando o senso comum pode ser utilizado, continue a leitura!

O Senso Comum e a filosofia


No contexto filosófico o senso comum sempre esteve presente. Grandes filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles desenvolveram vários escritos para abordar esse questão. Dentro da filosofia clássica, o termo “senso comum” faz referência às experiências inerentes à condição humana, como a dor e o sofrimento. São esses elementos que desenvolvem a capacidade de refletir, de saber que podem morrer, ficar doente, sofrer por causa de acidentes.


Essas experiências, que fazem os seres humanos compreenderem sua condição de seres finitos e passíveis a todos os tipos de tragédias, os previne e os orienta, para que não continuem a cometer os mesmos erros dos tempos passados. Da mesma forma, as experiências ajudam a produzir paciência, prudência, controle emocional. Esse conjunto pode ser entendido também como o senso comum, um tipo de bagagem adquirida através das vivências pessoais


Esse conceito teve uma desvalorização durante o período do Renascimento. A partir do século XVII, com o desenvolvimento da ciência moderna e do pensamento cartesiano, o senso comum, que não tinha um critério metodológico e nem podia ser explicado cientificamente, passou a perder espaço para o senso crítico e a ciência. A partir do século XX, ele foi caindo em desuso e acabou perdendo seu valor e sentido tradicional. 


Senso comum x senso crítico


Uma dos aspectos do senso comum é que todas as pessoas são capazes de produzir esse tipo de conhecimento, o que acaba sendo um grande problema também. Como ele não depende de estudos ou metodologia, não é possível determinar se aquele aprendizado é verdadeiro. Um dos grandes problemas que o conhecimento baseado no senso comum pode causar é o preconceito. 

Muitas opiniões racistas, machistas, xenofóbicas são pautadas em discursos que foram passados de geração em geração, e eles têm base na sabedoria popular. Por exemplo, existe um senso comum de que os asiáticos são dotados de uma inteligência diferente dos demais. Da mesma forma, existe a ideia de que o homem negro tem uma força maior que a dos demais. Essas narrativas são fundamentadas no conhecimento empírico e atravessam culturas, formando um estereótipo. 


Mas ao mesmo tempo que o senso comum pode ser negativo, também traz benefícios. Antônio Gramsci, filósofo italiano, acreditava que a troca de experiências e vivências entre as pessoas seria uma forma de compartilhar novos conhecimentos, além de relacioná-los aos acontecimentos anteriores. 


O argumento de Gramsci foi duramente criticado por outros autores como Auguste Comte. Comte era um defensor do positivismo e acreditava que a ciência era a melhor fora de se atingir o conhecimento. Para ele, o ser humano conseguiria evoluir socialmente se deixasse de lado os conceitos pré-estabelecidos pelo senso comum e os substituísse pelos métodos científicos e pela racionalidade. 


Atualmente, sabemos que a ciência, a pesquisa, o método, a comprovação, são etapas essenciais para que se possa chegar ao conhecimento verdadeiro, mas o senso comum não deve ser desprezado, pois ele é fruto da sabedoria popular.

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