Resumo de Filosofia - O que é tabu

Questões cujo debate é silenciado nos ambientes público e privado


O que é tabu varia conforme o contexto social analisado. Isso acontece porque existe uma forte influência de fatores culturais, históricos e sociais na categorização de temas, atividades e comportamentos vistos de forma pejorativa em dada sociedade. Na maioria das vezes, aquilo que é considerado tabu é definido por instituições religiosas, que atribuem valor ético e moral àqueles que praticam, discutem ou se comportam conforme aquilo que é interdito. 
Por essa razão, o que é tabu tende a ser silenciado, invisibilizado e estigmatizado. Em geral, tratam-se de práticas associadas a religiões, costumes, práticas sexuais e sexuais não hegemônicas. Mas assim como a cultura não é estática, o que é tabu também não se mantém cristalizado no tempo. Sendo assim, da mesma forma como são criados, os tabus podem ser desfeitos
Esse processo, contudo, não é instantâneo. Necessita da produção de rasuras nas estruturas sociais consolidadas em determinado processo histórico. Isso acontece, sobretudo, pelo questionamento das normas pré-estabelecidas, especialmente, por aqueles que são subjugados por ela. No decorrer deste artigo, vamos conhecer algumas temáticas que se constituem como tabu nos dias atuais e os riscos que o silenciamento sobre alguns temas pode acarretar aos indivíduos. 

O que é tabu nos dias atuais? 


Apesar das incontáveis mudanças do seio social observados nos dias de hoje, muitas temáticas ainda são consideradas tabu na sociedade brasileira. De modo geral, a maior parte dos temas interditos estão associadas às dinâmicas de gênero e sexualidade. Isso se justifica, em parte, pela configuração social brasileira, que de acordo com o Instituto Datafolha, tem um percentual de 50% de católicos e 31%, evangélicos.
Nesse contexto, pautas ligadas aos direitos sexuais e reprodutivos, educação sexual, identidade de gênero e orientação sexual encabeçam a lista das questões susceptíveis ao cerceamento dos grupos conservadores. Por isso, as ações, propostas e iniciativas ligadas a eles geram forte apelo popular. Isso acontece tanto por parte daqueles que desejam desconstruir o que é tabu, quanto por ação dos grupos que desejam manter o . 
Os temas que são tabu, contudo, não se limitam ao âmbito das discussões e políticas públicas. Pelo contrário, eles realizam um fluxo de retroalimento entre as esferas pública e privada. Dito isso, é importante ressaltar que do mesmo modo como a pauta da educação sexual gera perturbações, quando se propõe a capacitação dos professores para lidar com essa temática na escola, um número significativo de pais não conversa sobre sexo com seus filhos. 
Muitas vezes, a explicação para esse silenciamento está nas concepções de pecado e impureza que a prática sexual possui nos contextos religiosos em oposição à idealização da virgindade. Outro aspecto presente nesse silenciamento é a concepção de que falar sobre sexo é estimular a prática sexual, quando na verdade essa é uma estratégia de prevenção aos riscos inerentes ao desconhecimento. 

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A relação entre o silêncio e o risco à vida 


Ao refletirmos sobre os temas apontados na seção anterior deste artigo, observamos como o que é tabu pode se configurar como um risco para a integridade física e desenvolvimento dos indivíduos. Isso acontece porque ao impedir ou dificultar as discussões sobre determinados temas, cria-se uma conexão perigosa entre o desconhecimento e a exposição aos riscos causados pela ignorância. 
Pensando especificamente na ausência de discussões sobre educação sexual no ambiente escolar e familiar, percebemos que sem informação, as crianças e adolescentes se tornam mais susceptíveis a violências, a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a gestação precoce
Essa associação entre o que é tabu e exposição a riscos também acontece com temáticas não associadas às questões de gênero e sexualidade. Ela pode ser observada quando refletimos sobre o consumo de drogas ilícitas, transtornos de saúde mental e suicídio, por exemplo. Apesar da existência de movimentos para quebrar o tabu em torno dessas questões, elas ainda são pouco discutidas na sociedade brasileira. E ainda existem muitos estigmas e desinformação a elas associadas. 
Nesse contexto, pessoas que sofrem de depressão ou ansiedade, por exemplo, deixam de buscar ajuda, pois temem a associação equivocada que é feita no senso comum entre essas doenças e a “falta de Deus”, preguiça e frescura. Do mesmo modo, pautas como a legalização da maconha e a legalização do aborto são embargadas com base em uma concepção falha em legalização e estímulo. Com isso, o tráfico de drogas e as tentativas de abortos clandestinos continuam a fazer vítimas fatais diariamente. 
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