Resumo de Filosofia - Neoplatonismo

Uma corrente filosófica inspirada na filosofia de Platão

O neoplatonismo foi uma vertente filosófica que se desenvolveu entre o século III e IV. A corrente possuía várias doutrinas e pensamentos diferentes, porém matinha a filosofia platônica como sua inspiração principal. Além de ser uma corrente filosófica, o neoplatonismo também foi identificado como uma seita. Muitos grupos neoplatonistas misturavam as ideias ao misticismo e a religião, relacionado-as também com crenças particulares e adoração à divindade. 
O objetivo dessa escola filosófica era dar legitimidade às verdades religiosas que já tinham sido reveladas aos homens. A doutrina que recebeu influência de várias correntes filosóficas, como o aristotelismo, estoicismo, pitagorismo e a mais importante, o platonismo, tinha uma relação muito estreita com a religião, tanto que, posteriormente, os estudos do período do neoplatonismo vão servir de fundamentação teórica para religiões monoteístas, a exemplo do Cristianismo. 
Muitos autores se destacaram nesse período da história, como Porfírio, Plotino, Poclo. Suas ideias podem ser observadas tanto na teologia como na filosofia medieval. 

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Principais Características


Caracterizar um movimento como o neoplatonismo nem sempre é fácil, pois os pensadores que hoje são chamados de neoplatonistas além de muitos tinham divergência de ideias, objetivos e doutrinas. 

Mas o que é mais importante na corrente filosófica é que ela se propõe a fazer uma releitura das ideias de Platão. O radical “neo” junto ao termo platonismo significa justamente uma nova forma de platonismo, uma nova interpretação para essa vertente. Mas os pensadores neoplatonistas não pararam na releitura. Ele utilizaram dessa inspiração para construir ideias originais. 

Vale destacar também que o neoplatonismo não tem a intenção de retomar o platonismo. Nessa nova vertente, o dualismo Platônico (relações entre alma-corpo) é rejeitado dando lugar a um princípio único para todas as coisas. Porém, alguns aspectos espirituais e científicos surgem com mais eminência. 
 
Os primeiros filósofos que debateram o neoplatonismo foram Plutarco (45d.C.-120d.C.), Maximus (100d.C.-160d.C) e Enesidemo (150-70a.C). Mas foi o trabalho de Plotino (204d.C.-270d.C.) que reuniu o pensamento de todos eles na sua obra “Enéadas”. Plotino apresenta uma abordagem em que há uma divisão entre o mundo invisível e o mundo dos fenômenos. O primeiro é formado pelos aspectos do “UNO” de onde procede a essência perfeita e eterna que produz a alma do mundo.

O neoplatonismo reconhece a existência de um só Deus e que tudo deriva desse ser divino. Ou seja, toda a criação, homens, animais, todas as formas naturais são criadas a partir de seu reflexo. Os pensadores que defendem essa filosofia creem que jamais teremos conhecimento total sobre esse Deus. Embora tenhamos sua essência, a nossa imperfeição nos mantém longe dele e da nossa origem. Mas, a medida em que nos afastamos das coisas materiais, dos vícios, pecados, nos aproximamos mais desse Deus. 

Sendo assim, essa vertente filosófica e teológica, situa Deus como sendo inexplicável, indescritível e, por isso, ele só pode ser definido por aquilo que não é. 


As etapas do Neoplatonismo


A visão do Deus Uno apresentada pelo platonismo é dividida em três estágios ou hierarquias. A primeira, refere-se à manifestação do Uno através do Intelecto ou , que é uma revelação da supremacia de Deus, a fonte de todos as coisas. Sendo assim, o Logos é a primeira manifestação de Deus. 

Logo em seguida está a “Alma do Mundo”, que pode ser entendida pela mediação entre a razão (inteligência) e o mundo sensível (sentidos). Sendo que este último é apenas uma representação deturpada da verdade. 

Em último lugar encontra-se o mundo material, o que está mais afastado da sua origem. Por estar tão longe da luz, ele é cercado pelos desejos do mundo carnal que tentam dominá-lo. Mas é também nesse estágio de onde partimos para voltar ao “estágio original”. 

É importante ressaltar que o neoplatonismo coexistiu com outras escolas de pensamento, a exemplo do ceticismo. Na verdade, foi justamente quando o ceticismo começou a desaparecer que o neoplatonismo surgiu, apresentando novas possibilidades e formas de alcançar o conhecimento para uma vida plena e feliz. 

Esse movimento foi tão forte que influenciou o trabalho de filósofos que surgiram durante a Idade Média, a exemplo de Agostinho, o Bispo de Hipona, Giordano Bruno, Boécio, João Escoto Erígera, Nicolau de Cusa e tantos outros. Mais ainda, os estudos neoplatônicos reverberaram tanto, que influenciaram os teóricos da Filosofia Medieval como a Filosofia patrística e a Filosofia escolástica.
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