Resumo de Filosofia - Dialética de Platão

A forma de produção de conhecimento baseada em contradições

A dialética de Platão é como ficou conhecido o modo de produção do conhecimento filosófico que o pensador ajudou a difundir. Ainda que não se saiba exatamente quem estruturou o pensamento dialético, foi, seguramente, Platão o grande responsável pela sua propagação. Também foi ele quem se aprofundou no estudo dessa forma de pensar e a organizou em termos teóricos. Graças às suas contribuições, a dialética se manteve como base de sustentação do pensamento filosófico durante séculos.
O termo dialética é originado a partir da palavra grega . Ela, por sua vez, é constituída dos termos “dia”, que significa interação ou troca, e “letiké”, o qual tem a mesma origem de “logos” e quer dizer, razão ou conceito. Sendo assim, em tradução literal de significado, dialética é uma troca de ideias que possibilita a produção de conhecimento. Nesse artigo, conheceremos um pouco mais esse conceito, sua história, bem como o método da dialética de Platão.

A estrutura da dialética de Platão

A estrutura a partir da qual é proposta a dialética de Platão evidencia os traços presentes na epistemologia proposta pelo filósofo, segundo a qual, existe uma hierarquia inerente às formas de conhecimento. Dito de outra forma, para Platão, existe um conhecimento superior e um inferior e essa dualidade está presente na dialética que ele propõe. Segundo ele, tem status de inferioridade o conhecimento sensível. Nesse âmbito, está tudo que se apreende a partir da prática e dos sentidos do corpo. Por outro lado, seria superior o conhecimento inteligível, ou seja, aquele que é obtido por meio da racionalidade e do intelecto.



Na dialética de Platão, ele vai propor que o conhecimento inferior seja refutado e superado. Ao propor a hierarquização, o filósofo deseja evidenciar as fragilidades existentes no conhecimento não racional. Seu método de produção do saber filosófico permite a construção de contradições apenas como formas de superá-las. Para isso, é importante a adoção de uma atitude crítica e o questionamento das opiniões. Dentro da dialética de Platão, entre as contradições permitidas estão: opinião x verdade; desejo x razão; interesse particular x interesse universal; e senso comum x filosofia.
O pensamento dicotômico que estrutura a epistemologia de Platão tem ligação com a divisão entre alma e corpo. Segundo essa concepção, a alma diz respeito à imortalidade, ao que perdura após a vida e, por conseguinte, está associada ao conhecimento intelectual. Por outro lado, o corpo, enquanto materialidade e instância imperfeita, estava associado às formas de conhecimento inferiores. Para o filósofo, a alma carrega o verdadeiro conhecimento, que é esquecido no momento da reencarnação, mas que poderia ser rememorado. E a educação seria o mecanismo que possibilitaria esse processo.

As origens da dialética

Os historiadores e filósofos não possuem um consenso acerca da origem do termo. Desse modo, existem duas vertentes que tentam explicar a partir de qual pensador ele teria surgido, mas em ambas a Grécia Antiga aparece como a civilização em que o conceito teve origem. Na primeira vertente, estão os pesquisadores que acreditam que Heráclito deve ser considerado o pai da dialética. Para eles, a presença da dialética no pensamento do filósofo pode ser observada na sua constatação de que, na natureza, existe um movimento constante de trocas de informações. E, através dele, é possível produzir entendimentos acerca do natural, como algo variável e inconstante.
A segunda vertente sobre a origem da dialética na filosofia acredita ter sido Zenão de Eléia o responsável pelo conceito. Para os historiadores vinculados a essa perspectiva, o discípulo de Parmênides teria antecipado o conceito ao refletir sobre os paradoxos que são criados a fim de provar o imobilismo. Traços do que viria a ser chamado de dialética de Platão também são observados na forma como é estruturado o pensamento filosófico de Sócrates. Em seu método dialógico, que foi nomeado de maiêutica, o pensador fazia diversas perguntas às pessoas com quem dialogava para testar a capacidade que eles teriam de respondê-las satisfatoriamente.
Essa forma de produção do conhecimento filosófico, que antecede a dialética de Platão, possui traços dialéticos na medida em que cria uma contraposição das contradições presentes nos discursos trazidas pelos interlocutores acerca do tema sobre o qual estão sendo questionados. Ao colocar essas contradições em evidência, Sócrates criava mecanismos para que um novo conhecimento fosse produzido, que os interlocutores adotassem uma nova postura a partir de uma análise racional de suas próprias contradições. Os historiadores e filósofos acreditam que foi com base nessa forma de produção do conhecimento que surgiu a dialética de Platão, especialmente, porque foi Platão quem escreveu os diálogos socráticos
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