Prova da Prefeitura de Paraíso - Professor do Ensino Fundamental Anos Finais Língua Portuguesa - AMEOSC (2025) - Questões Comentadas

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Considere o trecho a seguir e analise as afirmações que seguem:

"Os portugueses possuem formas de raciocínio bem diferentes das nossas e isto pode se tornar muito divertido em viagens.

Estávamos em Portugal, às margens do Rio Tejo, e pensamos em experimentar um peixe típico da região: a lampreia."

I. A palavra "raciocínio" recebe acento gráfico pois levam acento agudo as chamadas proparoxítonas aparentes, ou seja, que apresentam na sílaba tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta, e que terminam por sequências vocálicas pós-tônicas praticamente consideradas como ditongos crescentes.
II. Em "às margens do Rio Tejo", ocorre crase obrigatória, porque a expressão é uma locução prepositiva de base feminina, exigindo a preposição "a" + o artigo definido "as".
III. Em "formas de raciocínio bem diferentes das nossas", o adjetivo "diferentes" concorda em número e gênero com o termo "formas", que funciona como seu núcleo, estando, portanto, de acordo com a regra de concordância nominal.

É correto o que se afirma em:

  • A I e II, apenas.
  • B I, II e III.
  • C I e III, apenas.
  • D II e III, apenas.

Considerando os aspectos gramaticais e sintáticos do período "Na mesma hora, alguém se lembrou de ter visto uma placa dizendo que a pesca da lampreia era proibida", assinale a alternativa correta quanto à regência, à colocação pronominal, à pontuação e à classificação da oração subordinada.

  • A O verbo lembrar-se tem regência variável, podendo ser direto ou indireto; o se atua como pronome reflexivo de valor enfático; a vírgula após "Na mesma hora" é incorreta, pois separa o sujeito do verbo; e a oração "que a pesca da lampreia era proibida" exerce função adjetiva explicativa.
  • B O verbo lembrar, no contexto, é transitivo direto, dispensando a preposição de antes do infinitivo; o pronome se tem valor apassivador; a vírgula após Na mesma hora é facultativa; e a oração "que a pesca da lampreia era proibida" é subordinada substantiva subjetiva.
  • C O verbo lembrar-se é pronominal e rege complemento com a preposição de; o se é parte integrante do verbo; a vírgula após "Na mesma hora" é facultativa, pois isola adjunto adverbial curto deslocado; e a oração "que a pesca da lampreia era proibida" funciona como objeto direto de dizendo.
  • D O verbo lembrar-se exige complemento sem preposição quando seguido de oração subordinada; o se atua como índice de indeterminação do sujeito; a vírgula após "Na mesma hora" indica pausa enfática, mas não tem valor sintático; e a oração final é classificada como substantiva predicativa.

A narrativa apresenta um episódio em que o humor decorre da diferença de raciocínio entre os interlocutores e da relação entre linguagem e contexto cultural. Considerando os elementos implícitos e o funcionamento discursivo do texto, é correto afirmar que:

  • A o humor resulta da ironia do narrador ao criticar a desorganização portuguesa, evidenciando a falta de coerência entre o discurso legal e a prática comercial.
  • B o texto assume um tom didático, buscando demonstrar a necessidade de obediência às leis locais e o valor do cumprimento rigoroso das normas sociais.
  • C o enredo se estrutura sobre um conflito moral, em que o guia português tenta justificar uma ação ilegal por meio da manipulação semântica da proibição.
  • D o texto explora a incongruência lógica presente entre a norma e sua aplicação, revelando diferentes formas de interpretar uma mesma situação comunicativa.

Considerando os fundamentos teóricos e epistemológicos da aprendizagem da leitura e da escrita, bem como as implicações pedagógicas das abordagens contemporâneas sobre alfabetização e letramento, analise a seguinte situação:

Uma professora dos anos iniciais desenvolve um projeto de leitura e escrita no qual os alunos produzem cartas destinadas a autores de livros infantis lidos em sala. Durante o processo, as crianças revisam seus textos, discutem a adequação da linguagem, analisam o sentido das mensagens e refletem sobre as intenções comunicativas envolvidas.

Com base nessa prática e nos pressupostos das teorias de aprendizagem e linguagem que sustentam a educação linguística contemporânea, é possível afirmar que essa proposta pedagógica:

  • A privilegia a internalização das regras gramaticais como base para o domínio da escrita, reforçando o papel estruturante do código linguístico como etapa anterior ao desenvolvimento da competência comunicativa.
  • B enfatiza o domínio das convenções ortográficas e sintáticas como eixo central da alfabetização, sendo as práticas discursivas subordinadas à progressão técnica do sistema de escrita.
  • C exemplifica uma concepção construtivista e sociointeracionista da linguagem, na qual a aprendizagem se efetiva pela mediação cultural e pela interação dialógica, permitindo ao aluno construir sentidos e refletir sobre os usos sociais da escrita.
  • D demonstra uma prática de letramento restrita à dimensão funcional da escrita, uma vez que privilegia o ato de produção textual em detrimento da análise crítica do discurso e da intencionalidade comunicativa.

O processo de apropriação da linguagem escrita, compreendido em suas dimensões cognitivas, linguísticas e socioculturais, envolve o entrelaçamento de experiências concretas, mediações simbólicas e interações sociais. A alfabetização, concebida como prática discursiva e formativa, ultrapassa o domínio de técnicas, implicando um movimento contínuo de reconstrução de sentidos, de consciência e de ação sobre o mundo. Com base nessas concepções teórico-pedagógicas, considera-se que:

  • A A aquisição da escrita constitui um processo de construção ativa de hipóteses sobre o funcionamento do sistema linguístico, condicionado, entretanto, à internalização de esquemas prévios que antecedem a experiência social da linguagem e garantem sua autonomia cognitiva.
  • B A aprendizagem da escrita é resultante da interação entre o sujeito e o meio, em que o erro, entendido como desajuste cognitivo, tem função estruturante, ainda que se mantenha desvinculado das mediações linguísticas e sociais que caracterizam o processo de alfabetização.
  • C O ato de aprender a ler e escrever decorre da articulação entre o desenvolvimento das estruturas cognitivas e a inserção nas práticas discursivas, exigindo do educador uma ação mediadora que compreenda a linguagem como forma de representação e transformação da experiência.
  • D A alfabetização representa uma prática cultural e política, cuja dimensão crítica decorre da problematização da realidade, mas cuja eficácia depende da correspondência entre o desenvolvimento psicológico individual e as condições externas de ensino e de mediação social.