O processo de apropriação da linguagem escrita, compreendido em suas dimensões cognitivas, linguísticas e socioculturais, envolve o entrelaçamento de experiências concretas, mediações simbólicas e interações sociais. A alfabetização, concebida como prática discursiva e formativa, ultrapassa o domínio de técnicas, implicando um movimento contínuo de reconstrução de sentidos, de consciência e de ação sobre o mundo. Com base nessas concepções teórico-pedagógicas, considera-se que:
- A A aquisição da escrita constitui um processo de construção ativa de hipóteses sobre o funcionamento do sistema linguístico, condicionado, entretanto, à internalização de esquemas prévios que antecedem a experiência social da linguagem e garantem sua autonomia cognitiva.
- B A aprendizagem da escrita é resultante da interação entre o sujeito e o meio, em que o erro, entendido como desajuste cognitivo, tem função estruturante, ainda que se mantenha desvinculado das mediações linguísticas e sociais que caracterizam o processo de alfabetização.
- C O ato de aprender a ler e escrever decorre da articulação entre o desenvolvimento das estruturas cognitivas e a inserção nas práticas discursivas, exigindo do educador uma ação mediadora que compreenda a linguagem como forma de representação e transformação da experiência.
- D A alfabetização representa uma prática cultural e política, cuja dimensão crítica decorre da problematização da realidade, mas cuja eficácia depende da correspondência entre o desenvolvimento psicológico individual e as condições externas de ensino e de mediação social.