Questões de Tecnologia e Comunicação (Jornalismo)

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A era da informação, marcada pela internet, redes sociais e inteligência artificial, impôs ao jornalismo uma série de transformações e dilemas éticos profundos. A velocidade da disseminação de informações (e desinformações), a crise do modelo de negócios tradicional baseado em publicidade, e a pressão por engajamento (cliques) tensionam os valores clássicos da profissão, como a apuração rigorosa, a checagem de fatos e a objetividade. O jornalista contemporâneo precisa navegar entre a necessidade de agilidade digital e a responsabilidade ética da mediação jornalística. Sobre os dilemas éticos do jornalismo na era da informação, assinale a alternativa correta.

  • A O jornalismo digital resolveu os dilemas éticos da profissão, pois a capacidade de interação direta com o público (comentários e redes sociais) permite uma retificação imediata de erros, tornando a apuração prévia menos necessária.
  • B A velocidade exigida pelas plataformas digitais e a competição com a desinformação criam um dilema ético entre a necessidade de ser o primeiro a noticiar (o 'furo') e o dever de checar rigorosamente a veracidade da informação antes da publicação.
  • C Na era da informação, o principal dilema ético do jornalista é a sua relação com as fontes, pois o Código de Ética passou a proibir o sigilo da fonte em reportagens publicadas na internet.
  • D O uso de Inteligência Artificial na produção de notícias é considerado eticamente neutro, pois as ferramentas tecnológicas eliminam completamente o viés humano e os erros de apuração, não apresentando novos dilemas à profissão.

Leia o texto a seguir sobre o uso da Inteligência Artificial no jornalismo.

“Na sua aplicação ao jornalismo, Broussard et al. (2019) definem a Inteligência Artificial como uma tecnologia capaz de processar uma grande quantidade de dados, que pode aprender padrões, imitar o raciocínio e identificar caminhos para se tornar num agente de conversação, escrever automaticamente ou indicar tendências. Por isso, o uso da IA no jornalismo pode acontecer em vários momentos do processo, desde a detecção de tendências informativas que podem ser objeto de notícia (Steiner, 2014), à produção automática de textos (Lokot e Diakopoulos 2016; Ufarte Ruiz e Manfredi Sánchez, 2019), à personalização da distribuição de informação (Gamperl, 2021) e à luta contra a desinformação (Manfredi Sánchez & Ufarte Ruiz, 2020)” (CANAVILHAS, 2023: 130)

Quanto à personalização da distribuição de informação, a Inteligência Artificial pode ser usada para

  • A gerar produção automática de notícias sobre os resultados das empresas, baseando-se nos seus relatórios e contas, como já é feito pela Forbes e pela Associated Press.
  • B identificar quais são as palavras mais pesquisadas em termos globais, como faz o Google Trends, para determinar as pautas jornalísticas mais oportunas.
  • C produzir a conversão automática de voz em texto e de texto em voz, como faz o Google Speech-to-text, poupando muito tempo ao jornalista na produção de suas reportagens.
  • D determinar os melhores períodos do dia para publicaras notícias, considerando a hora em que aquela temática tem maior receptividade, situação que está relacionada com o tipo de audiência a cada momento.
  • E realizar otimização de títulos, a partir da combinação de palavras-chave das notícias e palavras mais procuradas no Google Trends, gerando títulos com mais chances de ser achados por todos os internautas.

Ao elaborar uma notícia para web, deve-se levar em consideração que “a flexibilidade dos meios online permite organizar as informações de acordo com as diversas estruturas hipertextuais. Cada informação, de acordo com as suas peculiaridades e os elementos multimídia disponíveis, exige uma estrutura própria.” (SALAVERRIA, 2005 apud CANAVILHAS, 2007). Nessa linha de argumentação, essas estruturas podem ser lineares, reticulares ou mistas.

As estruturas reticulares

  • A são compostas por blocos de texto ligados através de um único eixo, pré-definido e que guiará a leitura.
  • B representam o modelo com menor liberdade em termos de navegação, visto que o leitor não pode saltar de um eixo para o outro.
  • C são uma rede de textos de navegação livre, sem eixos pré-definidos; que deixa em aberto todas as possibilidades de leitura.
  • D são construídas em vários eixos, cada um contando uma história diferente e sem relação direta nem entre as histórias nem entre os eixos.
  • E representam um modelo híbrido entre as estruturas lineares e as mistas, que tem a vantagem de oferecer “pistas de leitura” bem definidas.

Leia o texto a seguir. Ele integra a política editorial do Grupo Globo.

“O USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO JORNALISMO

( ) O desenvolvimento das diversas vertentes de IA amplia a capacidade de processamento e de geração de informação (como textos, vídeos, áudios, infográficos, sites e outros formatos de conteúdo) e tem grande potencial disruptivo, mas não altera os valores que norteiam o exercício do jornalismo profissional. O Grupo Globo adota a inteligência artificial como meio para aprimorar a qualidade do jornalismo, mantendo o compromisso com a isenção, correção e agilidade manifestado neste documento. Os jornalistas são encorajados a testar e adotar ferramentas de IA que auxiliem nos processos de apuração, produção e distribuição, respeitando as orientações aqui expostas”.

Essas orientações se baseiam em:

1. Transparência e supervisão humana.
2. Apuração, produção e distribuição de jornalismo com auxílio de IA.
3. Direitos autorais e governança. Seguindo os preceitos de boa parte dos veículos jornalísticos, quanto ao primeiro item das orientações, o Grupo Globo indica que

  • A o uso de Inteligência Artificial é permitido tanto para geração de áudios sintéticos baseados em vozes humanas como para produção de imagens com qualidade fotográfica, sem que o público seja informado sobre o fato de que a imagem ou a voz foram integralmente geradas por Inteligência Artificial, pois isso diminuiria sua credibilidade e seu impacto na audiência.
  • B para maior abrangência, eficiência e rapidez na produção de conteúdos gerados de modo automatizado por Inteligência Artificial, a supervisão humana antes da veiculação está dispensada, desde que todos os processos e prompts padronizados tenham sido testados anteriormente.
  • C a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial deve observar e respeitar rigorosamente os direitos autorais e a propriedade intelectual apenas em relação ao conteúdo de terceiros, visto que os materiais próprios estão dispensados de créditos.
  • D as redações devem utilizar Inteligência Artificial para restringir o alcance do jornalismo, através da análise de dados sobre o consumo de informação, que servirá para criação de diferentes versões de uma reportagem, a fim de atender aos vários vieses ideológicos de cada público-alvo, personalizando assim o conteúdo.
  • E A Inteligência Artificial poderá ser empregada, em maior ou menor escala, para que a informação jornalística seja isenta, correta e prestada com rapidez, portanto, em alguns casos, será necessário destacar como ela foi empregada, o que será feito sempre que contribuir para que o público compreenda as circunstâncias em que a reportagem foi produzida.

Especialistas em criação de conteúdos multiplataformas apontam três fatores principais para compreender a flexibilidade e a eficácia do conteúdo em diferentes situações.

São eles:

  • A dispositivo, contexto e fonte.
  • B público, fonte e público-alvo.
  • C fonte, contexto e público-alvo.
  • D dispositivo, fonte e pessoa.
  • E dispositivo, contexto e público-alvo.