Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização. Penso que o movimento pelos direitos humanos se entronca aí, pois somos a primeira era da história em que teoricamente é possível entrever uma solução para as grandes desarmonias que geram a injustiça contra a qual lutam os homens de boa vontade, à busca não mais do estado ideal sonhado pelos utopistas racionais que nos antecederam, mas do máximo viável de igualdade e justiça.
Mas esta verificação desalentadora deve ser compensada por outra mais otimista: nós sabemos que hoje os meios materiais necessários para nos aproximarmos desse estágio melhor existem, e que muito do que era simples utopia se tornou possibilidade real. Quem acredita nos direitos humanos procura transformar a possibilidade teórica em realidade. Inversamente, um traço sinistro do nosso tempo é saber que é possível a solução de tantos problemas e ainda assim não se empenhar nela.
(CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. Adaptado)
No texto, Antonio Candido destaca
- A o surgimento do movimento pelos direitos humanos como resquício de retrocessos históricos, sugerindo que tal movimento sobrepuja a barbárie.
- B o retrocesso histórico dos dias de hoje, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos prescinde dos valores civilizatórios de épocas passadas.
- C a oposição entre barbárie e civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos, ao tentar promover uma igualdade utópica, ignora essa dualidade.
- D a coexistência paradoxal entre a barbárie e o ápice da civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos se insere nessa tensão.
- E a negação da barbárie por parte dos que defendem os valores do progresso civilizatório, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos ratifica esta mesma negação.