À espera de uma nova estação
Passei da idade das justificativas. Posso dizer que fulano é chato ou mofina e ponto. Por que mesmo? Porque eu acho. É uma das compensações da passagem do tempo e da perda da necessidade de agradar a todos. São coisas assim que deixam de exigir metafísica, hermenêutica e chá de camomila, não necessariamente, como costumam dizer os criativos, nessa ordem, ainda que a ordem dos fatores não altere o produto, se me faço entender com esses bons e velhos clichês. Como se sabe, clichê só é bom e clichê se for velho. A idade permite usar palavras como mofina sem temer o espanto dos jovens. Que se danem! No bom sentido dessa expressão, que talvez exista algum. Não? Ronaldo não se casou. Esse é o ponto a ser comentado. Mas como? Era tudo o que ele queria. Havia nascido com a vocação para o casamento. Criança, quando todos queriam ser astronautas, pilotos de Fórmula 1, astros de rock, jogadores de futebol ou bombeiros, Ronaldo queria casar. Quando lhe perguntavam o que queria ser quando crescesse, ele respondia com ar angelical e a sua voz desafinada: – Marido.
Analise as proposições abaixo e assinale a única que possui uma explicação coerente, considerando o texto base: “À espera de uma nova estação” e as convenções da Língua Portuguesa.
- A “Passei da idade das justificativas.” No vocábulo destacado o interlocutor é Ronaldo.
- B “Ronaldo não se casou. Esse é o ponto a ser comentado. Mas como? Era tudo o que ele queria.” Temos nos vocábulos destacados o mesmo referente, ou seja, o mesmo personagem
- C “Ele respondia com ar angelical e a sua voz desafinada”. Os vocábulos destacados classificam-se como adjetivo e verbo, respectivamente.
- D “Havia nascido com a vocação para o casamento.” O vocábulo em destaque é um verbo e classifica-se como um verbo da primeira conjugação, assim como amar, cantar e parar
- E “A idade permite usar palavras como mofina sem temer o espanto dos jovens”. As palavras em destaque são todas classificadas como adjetivos.