Questões da Prova do UFGD - Administrador (2019) Página 1

Leia um pequeno trecho do conto "O espelho", de Machado de Assis.

Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia- se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

Disponível em: https://pt.wikisource.org/wiki/O_Espelho. Acesso em: 18 fev. 2019.


As palavras "disparidade" e "pestanejavam", destacadas no texto, mantém equivalência de sentido se substituídas, respectivamente, por:

  • A injustiça e olhavam.
  • B afinidade e ofuscavam.
  • C diferença e cintilavam.
  • D indiferença e brilhavam.
  • E descaso e apagavam.

TECNOLOGIA PODE INFLUENCIAR HABILIDADES COGNITIVAS


Pesquisa indica que jogos eletrônicos estimulam as chamadas Funções Executivas, provocando efeitos globais sobre o desempenho escolar.

Por: Silvio Henrique Fiscarelli

Na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), semanalmente, ao final das atividades realizadas em nosso projeto de uso de tecnologia educacional com crianças com dificuldades de alfabetização, é recorrente algum pai se aproximar e perguntar sobre o progresso e o comportamento de seu filho: "ele faz todas as atividades?", "está se comportando bem?", "fica sentado na cadeira?". E geralmente completa: "na escola, o professor disse que ele não para sentado na carteira" ou "o professor disse que ele enrola e não faz as atividades". O interessante é que aquelas perguntas e falas me soam estranhas pois raramente temos que chamar a atenção de algum aluno por ter comportamento inadequado durante as atividades.

Aparentemente, as mesmas crianças que na escola apresentam um comportamento menos disciplinado e menor comprometimento com as atividades escolares se transformam em "anjinhos" dedicados durante as nossas sessões. Por quê?

A primeira e mais fácil resposta seria atribuir o fascínio que a tecnologia gera na maioria das crianças; uma segunda explicação complementar seria um certo grau de intimidação das crianças pelo fato de não estarem em uma sala de aula tradicional e com pessoas que não eram de seu convívio diário. Tais argumentos, embora plausíveis, na minha opinião, não se sustentam. Primeiro, todos os participantes do projeto tinham acesso a algum tipo de equipamento tecnológico em casa, como computador, tablet ou celular. Ou seja, o computador não era uma novidade capaz de, por si só, manter uma motivação extrínseca. Segundo, estar em um ambiente incomum e com pessoas desconhecidas pode gerar impacto durante algum tempo, mas depois de algumas semanas esse estranhamento inicial acaba por se tornar algo habitual. Além de tudo, as crianças estavam ali realizando atividades relacionadas à aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática, até certo ponto, semelhantes às realizadas na escola. O que explicaria, então, essa diferença de comportamento? [...].

Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/15885/tecnologia-pode-influenciar-habilidades-cognitivas. Acesso em: 22 fev. 2019.


Afirma-se, a partir do texto escrito pelo pesquisador, que:

  • A as crianças apresentavam bom comportamento nas sessões do projeto, pois a tecnologia gerava fascínio na maioria delas.
  • B as crianças tiveram um bom comportamento, porque se sentiram intimidadas por não estarem em uma sala de aula tradicional.
  • C as crianças não tinham equipamento tecnológico em casa, por isso ficavam deslumbradas e se comportavam bem durante as sessões.
  • D as crianças se comportavam bem durante as sessões, pois havia um estranhamento em relação ao ambiente e às pessoas desconhecidas.
  • E as crianças se comportavam bem nas sessões por outro motivo, e não devido ao fascínio pela tecnologia ou à intimidação gerada pelo ambiente.

O texto a seguir compõe o primeiro capítulo de um livro que aborda a adolescência e seus conflitos.


      Um adolescente um pouco sem rumo, estranhando seu próprio comportamento, paradoxalmente desafiador e arrependido, para você na rua e fala: "Estou só passando por uma fase agora. Todo o mundo passa por fases, não é?" Alguém talvez reconheça sua voz. É Holden, o herói do romance O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger.

      Aproveitando-se da situação, atrás e ao lado dele se aglomeram pais e mães de adolescentes. Eles também perguntam: "Então, é assim? Vai passar? É só uma fase?"

      Resposta de bolso, caso Holden e os pais o parem na rua: "Não. Não é apenas uma fase. Por isso, nada garante que passe".

      Nossos adolescentes amam, estudam, brigam, trabalham. Batalham com seus corpos, que se esticam e se transformam. Lidam com as dificuldades de crescer no quadro complicado da família moderna. Como se diz hoje, eles se procuram e eventualmente se acham. Mas, além disso, eles precisam lutar com a adolescência, que é uma criatura um pouco monstruosa, sustentada pela imaginação de todos, adolescentes e pais. Um mito, inventado no começo do século 20, que vingou, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial.

      A adolescência é o prisma pelo qual os adultos olham os adolescentes e pelo qual os próprios adolescentes se contemplam. Ela é uma das formações culturais mais poderosas de nossa época. [...].

Disponível em: https://wwwl.folha.uol.com.br/folha/ publifolha/351920-contardo-calligaris-explica-a-adolescencia-e-seus-desafios-no-mundo-moderno.shtml. Acesso em: 20 fev. 2019.


Os termos destacados (dele, seus, eles, criatura e ela) retomam, respectivamente, as seguintes palavras referidas no texto:

  • A Holden, adolescentes, adolescentes, adolescência, adolescência.
  • B Alguém, adolescentes, adolescência, adolescente, adolescência.
  • C Ele, pais, adolescência, adolescência, juventude.
  • D  Menino, adolescente, adolescência, adolescente, adolescência.

  • E Holden, adolescente, adolescente, adolescência, adolescência.

Nas orações "Segundo disse o médico, Mariana precisava reduzir o colesterol" e "Mariana fez a dieta, logo, reduziu o colesterol", nota-se, respectivamente, uma relação de
  • A explicação e concessão.
  • B conformidade e conclusão.
  • C explicação e conclusão.
  • D conformidade e concessão.
  • E conclusão e explicação.

Leia o texto que segue.

                                            FIOS E TRAMAS

                                                                                                                Gláucia Leal


      A máxima de que à medida que ampliamos nosso conhecimento sobre algo mais teremos consciência de que ainda há muito para aprender parece se aplicar muito bem ao funcionamento do cérebro. Um bom exemplo disso: durante mais de um século, as células gliais - existentes aos milhares em nossa cabeça - atraíram pouca atenção dos neurocientistas. No entanto, à medida que o conhecimento sobre o funcionamento cerebral se ampliou, as descobertas trouxeram indagações a respeito da implicação das gliais na instalação de doenças neurológicas e transtornos psiquiátricos, bem como no processo de aprendizado.

      "Até recentemente nossa compreensão do cérebro se baseava em ideias conhecidas como doutrina neural, mas essa teoria de mais de 100 anos, segundo a qual toda a comunicação do sistema nervoso é transmitida por impulsos elétricos através de redes de neurônicos, está equivocada", afirma o neurocientista R. Douglas Fields, autor do tema de capa desta edição. "Hoje sabemos que muitas informações passam ao largo dos neurônios, fluindo sem eletricidade, pela rede de células gliais", explica.

      Um tema complexo que novas pesquisas ajudam a compreender melhor é a memória, uma das funções da inteligência. Os dados que fixamos proporcionam não só aos humanos, mas aos seres vivos de forma geral, aptidões diversas, que favorecem a sobrevivência e a qualidade de vida: por meio desse processo complexo obtemos benefícios de experiências passadas que nos ajudam a resolver problemas e tomar melhores decisões. Na prática, se algumas situações de esquecimento são incômodas, ainda que nem sempre as consequências não sejam trágicas, as falhas da memória costumam despertar a sensação, mesmo que momentânea, de "perda de si mesmo". Nesses casos, pode ser muito útil investigar as causas desse sintoma e também recorrer a estratégias comprovadamente eficazes para exercitar a memória e, assim, driblar as armadilhas que nos tornam tão inseguros quando somos "traídos" por esse aspecto mental. Como se seguíssemos "fios de Ariadne" - a princesa de Creta que, segundo a mitologia grega, ajudou seu amado Teseu a escapar do labirinto onde vivia o minotauro, sugerindo a ele que desenrolasse um novelo de lã para encontrar o caminho de volta -, podemos entender melhor as tramas que enredam os fios de nossas lembranças. E, ainda que não possamos retê-las, talvez seja possível ao menos nos apropriar da possibilidade de saber mais sobre nós mesmos...

Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/fios_ e_ tramas.html. Acesso em: 14 fev. 2019.


De acordo com o texto, é correto afirmar que

  • A as situações de esquecimento vivenciadas pelos seres humanos se baseiam em teorias ultrapassadas e equivocadas.
  • B as descobertas científicas podem ser revistas, alteradas e modificadas ao longo do tempo.
  • C as descobertas científicas sobre a memória podem nos tornar inseguros sobre as nossas lembranças.
  • D as falhas nas pesquisas científicas têm evidenciado que as descobertas podem ser prejudiciais ao ser humano.
  • E a compreensão do funcionamento do cérebro é importante para o entendimento dos procedimentos científicos.