Prova da Câmara Municipal de Chapecó-2 - Analista de Comunicação - Prova UNO Chapecó (2025) - Questões Comentadas

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A análise da comunicação na sociedade de massa é permeada por diversas correntes teóricas que buscaram compreender a influência e o poder dos meios de comunicação. Inicialmente, a Teoria Hipodérmica (ou da 'Bala Mágica'), alinhada aos pressupostos da Escola de Frankfurt, concebia a audiência como uma massa amorfa e passiva, que recebia e absorvia as mensagens de forma uniforme e direta, sem capacidade crítica. Esta visão foi posteriormente contestada e relativizada por diversas outras correntes. Uma das mais influentes, a Escola de Birmingham, conhecida pelos Estudos Culturais, deslocou o foco da análise, passando a investigar não apenas a produção da mensagem, mas, sobretudo, o processo de recepção e os contextos socioculturais dos receptores. Considerando especificamente a perspectiva inovadora dos Estudos Culturais, assinale a alternativa que descreve corretamente sua principal contribuição teórica.

  • A Os Estudos Culturais consolidaram o modelo hipodérmico, reforçando a ideia de que a mídia possui um poder irrestrito de manipulação sobre os indivíduos, que são incapazes de decodificar criticamente as mensagens recebidas.
  • B Os Estudos Culturais focam-se exclusivamente na estrutura econômica da propriedade dos meios de comunicação, argumentando que a ideologia dominante é sempre totalmente reproduzida na recepção, sem espaço para negociação ou resistência.
  • C Os Estudos Culturais, especialmente os britânicos (Birmingham), enfatizam a capacidade da audiência de resistir, negociar e ressignificar ativamente as mensagens midiáticas, vendo o receptor como um produtor de sentidos inserido em um contexto cultural, em oposição à visão da audiência como massa passiva e alienada.
  • D A principal contribuição dos Estudos Culturais foi o desenvolvimento da Teoria da Agenda-Setting (Agendamento), demonstrando que a mídia determina exclusivamente 'o que' pensar, e não apenas 'sobre o que' pensar.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, cuja adesão é um dever do profissional, não é apenas um guia deontológico, mas um pilar para a relação complexa entre jornalismo, poder e cidadania. Ele estabelece os deveres e direitos do profissional, balizando sua atuação na busca pela informação de interesse público e na defesa dos valores democráticos. A complexidade dessa mediação exige do jornalista um compromisso ético robusto, especialmente ao lidar com a fidedignidade dos fatos, a proteção de suas fontes e a obrigação de retificar erros. Assim, analise as afirmativas a seguir:

I. O Código estabelece como dever fundamental do jornalista o compromisso com a verdade dos fatos, pautando seu trabalho pela precisa apuração e sua correta divulgação.

II. O Código prevê expressamente o direito ao sigilo da fonte como um instrumento essencial para o exercício da profissão e a garantia de acesso a informações de interesse público.

III. O Código determina que, em caso de divulgação de informação imprecisa, o jornalista só deve retificá-la se for interpelado judicialmente, visando proteger o veículo de comunicação.

Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:

  • A II e III.
  • B I, II e III.
  • C I e III.
  • D I e II.

A era da informação, marcada pela internet, redes sociais e inteligência artificial, impôs ao jornalismo uma série de transformações e dilemas éticos profundos. A velocidade da disseminação de informações (e desinformações), a crise do modelo de negócios tradicional baseado em publicidade, e a pressão por engajamento (cliques) tensionam os valores clássicos da profissão, como a apuração rigorosa, a checagem de fatos e a objetividade. O jornalista contemporâneo precisa navegar entre a necessidade de agilidade digital e a responsabilidade ética da mediação jornalística. Sobre os dilemas éticos do jornalismo na era da informação, assinale a alternativa correta.

  • A O jornalismo digital resolveu os dilemas éticos da profissão, pois a capacidade de interação direta com o público (comentários e redes sociais) permite uma retificação imediata de erros, tornando a apuração prévia menos necessária.
  • B A velocidade exigida pelas plataformas digitais e a competição com a desinformação criam um dilema ético entre a necessidade de ser o primeiro a noticiar (o 'furo') e o dever de checar rigorosamente a veracidade da informação antes da publicação.
  • C Na era da informação, o principal dilema ético do jornalista é a sua relação com as fontes, pois o Código de Ética passou a proibir o sigilo da fonte em reportagens publicadas na internet.
  • D O uso de Inteligência Artificial na produção de notícias é considerado eticamente neutro, pois as ferramentas tecnológicas eliminam completamente o viés humano e os erros de apuração, não apresentando novos dilemas à profissão.

O período da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) impôs desafios severos à imprensa, alterando profundamente o sentido do texto jornalístico. A censura,inicialmente velada, tornou-se explícita e institucionalizada, especialmente após o Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1968, forçando os veículos a desenvolverem estratégias de resistência − como o uso de metáforas, receitas ou poemas para preencher espaços censurados − e, em outros casos, de acomodação e colaboração. A legislação desse período foi um instrumento chave para o controle da informação. Acerca das características da censura e da produção jornalística nesse período, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.




(__) O Decreto-Lei nº 1.077, de 1970, embora nominalmente voltado para a proteção da 'moral e dos bons costumes', foi amplamente utilizado como ferramenta de censura política, permitindo a apreensão de publicações e a censura prévia de conteúdos considerados 'subversivos'.



(__) A censura durante o regime militar era exclusivamente prévia, ou seja, todos os textos, sem exceção, deveriam ser submetidos aos censores federais antes da publicação, não existindo a prática da censura 'a posteriori' (pós-publicação).



(__) Jornais da chamada 'imprensa alternativa', como 'O Pasquim', 'Opinião' e 'Movimento', destacaram-se por não sofrerem qualquer tipo de censura, devido ao uso inteligente do humor e da linguagem metafórica, que passavam despercebidos pelos censores.



(__) A prática da autocensura tornou-se uma ferramenta de sobrevivência comum nas redações, onde jornalistas e editores antecipavam as possíveis reações do regime para evitar punições, o que resultou em um jornalismo frequentemente omisso e eufemístico.



Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:

  • A F, V, V, F.
  • B V, F, F, V.
  • C V, V, V, V.
  • D F, F, F, V.

A Lei de Acesso à Informação (LAI), Lei nº 12.527/2011, estabelece dois pilares principais para garantir o acesso aos dados públicos: a transparência passiva e a transparência ativa. A transparência passiva refere-se ao dever do órgão de responder às solicitações feitas pelos cidadãos dentro de prazos específicos. Já a transparência ativa é a obrigação de divulgar um conjunto mínimo de informações de interesse público proativamente, independentemente de solicitações, principalmente nos sítios oficiais (internet). Assim, analise as afirmativas a seguir:

I. A LAI define que a transparência ativa exige que os órgãos públicos publiquem na internet informações como registros de despesas, informações sobre licitações e contratos, e dados sobre remuneração de servidores.

II. O atendimento a um pedido de informação feito por um cidadão através do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) é um exemplo de transparência passiva.

III. A LAI determina que a transparência ativa é facultativa (opcional), sendo uma recomendação de boa prática, mas não uma obrigação legal dos órgãos públicos.

Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS

  • A I e III.
  • B I, II e III.
  • C II e III.
  • D I e II.