Prova da Prefeitura de Congo-2 - Enfermeiro - FACET Concursos (2025) - Questões Comentadas

Limpar Busca

“Cada enunciado é povoado por ecos de outros enunciados e toda palavra é resposta, mesmo que implícita, a palavras anteriores e antecipação de palavras futuras” (Bakhtin, Estética da Criação Verbal, 1979). Em redes sociais, sobretudo em debates políticos, a ironia converte-se em um dispositivo de resistência cultural.

À luz do pensamento bakhtiniano, assinale a alternativa que melhor representa a função discursiva da ironia nos discursos digitais.

  • A A ironia dissolve ambiguidades semânticas, reforçando consensos ideológicos fixos em contextos discursivos determinados.
  • B A ironia neutraliza tensões polifônicas, consolidando hierarquias simbólicas dominantes nos discursos sociais contemporâneos.
  • C A ironia desestabiliza construções hegemônicas, instaurando leituras críticas plurais nos discursos políticos digitais.
  • D A ironia homogeneíza experiências comunicativas, impedindo circulação polissêmica nos diferentes espaços discursivos coletivos.
  • E A ironia preserva sentidos literais imediatos, excluindo contradições críticas possíveis nos debates coletivos atuais.

“Todo texto é um tecido de citações, oriundas de inúmeros centros da cultura, e cada produção discursiva é necessariamente atravessada por vozes pré-existentes que lhe conferem densidade intertextual” (Barthes, A Morte do Autor, 1968). Em relatórios científicos sobre mudanças climáticas, observa-se a justaposição de dados técnicos, metáforas literárias e argumentos sociopolíticos.

Considerando a perspectiva barthesiana, identifique a alternativa que expressa adequadamente a função da intertextualidade nesses discursos.

  • A A intertextualidade fragiliza fundamentos epistemológicos, promovendo relativismo descontrolado nos discursos ambientais contemporâneos.
  • B A intertextualidade dissolve a autoria singularizada, suprimindo responsabilidade enunciativa dos produtores de discursos acadêmicos.
  • C A intertextualidade uniformiza perspectivas interpretativas, impedindo emergência de singularidade hermenêutica textual distinta.
  • D A intertextualidade compromete objetividade epistêmica, anulando coerência metodológica em contextos acadêmicos complexos.
  • E A intertextualidade legitima construções argumentativas, inserindo textos científicos em tradições discursivas historicamente consolidadas.

“Não existe exercício de poder sem constituição correlata de um campo de saber, e não existe saber que não implique relações de poder” (Foucault, Microfísica do Poder, 1979). Em coberturas jornalísticas sobre pandemias, a mobilização de metáforas bélicas e dados estatísticos revela implicações políticas no discurso informativo.

Com base em Foucault, assinale a alternativa que melhor exemplifica a articulação entre saber e poder nos discursos jornalísticos.

  • A A linguagem jornalística dissolve tensões sociais, convertendo divergências em consensos ideológicos artificiais.
  • B A linguagem jornalística impede multiplicidade hermenêutica, restringindo polifonia textual nos discursos informativos.
  • C A linguagem jornalística preserva neutralidade absoluta, garantindo objetividade plena em diferentes contextos comunicativos.
  • D A linguagem jornalística articula saberes especializados, moldando percepções coletivas mediante estratégias discursivas complexas.
  • E A linguagem jornalística elimina pluralidade interpretativa, impondo consensos artificiais em diferentes esferas comunicacionais.

“Na sociedade de consumo, tudo tende a se transformar em mercadoria, inclusive os próprios signos linguísticos e culturais” (Baudrillard, A Sociedade de Consumo, 1970). Em campanhas digitais contemporâneas, observa-se o uso estratégico da polissemia como mecanismo de sedução simbólica.

De acordo com Baudrillard, identifique a alternativa que representa corretamente a função persuasiva do signo publicitário.

  • A O signo cristaliza significados homogêneos, afastando historicidade e multiplicidade de leituras culturais.
  • B O signo dissolve tensões interpretativas, convertendo diversidade cultural em consenso comunicacional estabelecido.
  • C O signo reforça neutralidade semântica, eliminando ambiguidades lexicais em práticas discursivas contemporâneas.
  • D O signo é ressignificado estrategicamente, vinculando produtos a valores emocionais e simbólicos universais.
  • E O signo preserva equivalência referencial, impedindo criação de associações múltiplas nos discursos midiáticos.

“Não há democracia linguística sem aceitação do pluralismo das formas, porque o preconceito linguístico é manifestação do preconceito social” (Bortoni-Ricardo, Sociolinguística, 2004). Em debates parlamentares televisionados, a variação linguística torna-se recurso de identidade e resistência discursiva.

À luz da sociolinguística crítica, assinale a alternativa que melhor representa o papel da variação linguística em contextos políticos.

  • A A variação linguística compromete inteligibilidade social, anulando eficácia pragmática das interações parlamentares.
  • B A variação linguística dissolve tensões discursivas, impondo homogeneidade comunicativa rígida nos debates institucionais.
  • C A variação linguística reforça estigmas históricos, consolidando hierarquias simbólicas tradicionais em espaços parlamentares.
  • D A variação linguística preserva apenas norma culta, impedindo reconhecimento das práticas populares e regionais.
  • E A variação linguística legitima identidades plurais, transformando diferenças em capital político relevante.