Questões de Linguagem e Pensamento (Filosofia)

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Considere as expressões a seguir reproduzidas da obra “Quando dizer é fazer”, de John Austin (1990), e os contextos em que foram proferidas.

“Aceito (scilicet) esta mulher como minha legítima esposa” (no decurso de uma cerimônia de casamento).

“Batizo este navio com o nome de Rainha Elizabeth” (ao quebrar-se a garrafa contra o casco do navio).

De acordo com a teoria de John Austin, essas expressões são exemplos de atos de fala

  • A locucionários com função descritiva, pois descrevem uma ação ou evento.
  • B ilocucionários com função expressiva, pois comunicam estados emocionais do falante.
  • C perlocucionários, pois visam produzir efeitos psicológicos ou emocionais no ouvinte.
  • D ilocucionários com função assertiva, pois descrevem uma crença sobre algo.
  • E performativos, pois realizam a ação que enunciam por meio da fala.

No prefácio ao seu livro Investigações Filosóficas, Ludwig Wittgenstein analisa a evolução do seu pensamento em relação à sua obra anterior, o Tractatus LogicoPhilosophicus, e pondera que “teve de reconhecer graves erros” nesse trabalho anterior. Analise as afirmativas abaixo, marcando V, para as verdadeiras, e F, para as falsas.

( ) Tanto nas Investigações Filósoficas quanto no Tractatus LogicoPhilosophicus, Wittgenstein acredita que os filósofos se equivocam por tentarem enunciar mais do que proposições das ciências naturais.
( ) A noção de “jogos de linguagem”, desenvolvida nas Investigações Filosóficas, rejeita a ideia do Tractatus Logico-Philosophicus de que proposições ou pensamentos são retratos da realidade.
( ) Nas Investigações Filósoficas, o conceito de “semelhança de família” reitera um ceticismo quanto às aspirações para a metafísica que já estava presente no Tractatus Logico-Philosophicus.
( ) A ideia de que o significado de uma palavra é determinado pelo seu uso é uma inovação das Investigações Filosóficas.
( ) Nas Investigações Filosóficas, Wittgenstein preserva a convicção, primeiro expressa no Tractatus Logico-Philosophicus, de que as respostas para as questões filosóficas devem ser encontradas através do estudo ou análise da linguagem.

A sequência correta, de cima para baixo, é

  • A V - F - F - V - V.
  • B F - F - V - V - V.
  • C V - V - F - F - F.
  • D F - V - V - V - F

O primeiro grande modelo de teoria psicológica da linguagem que temos na modernidade é o Livro III do Ensaio acerca do entendimento humano, de John Locke. Pela primeira vez na modernidade, temos um livro inteiro dedicado ao processo de significação linguística. O argumento lockeano é: a necessidade que temos de entrar em acordo, de nos entendermos, leva à necessidade de criarem-se signos sensíveis capazes de comunicar nossos pensamentos, nossas ideias. Se fôssemos dotados de alguma faculdade que possibilitasse o acesso direto e imediato às ideias nas mentes de outros homens, não seria necessária a linguagem.
(Lúcio Lourenço Prado. Filosofia da linguagem, 2012. Adaptado.)

O argumento lockeano mencionado tem implicações no âmbito

  • A crítico, visto que examina os limites do senso comum.
  • B epistêmico, uma vez que defende a impossibilidade de evidência científica.
  • C religioso, dado que estabelece um caminho para acessar o divino.
  • D metafísico, pois considera um novo elemento para a compreensão do ser.
  • E político, já que torna possível o pacto social civilizatório.

Se alguém se dispõe a instaurar e estender o poder e o domínio do gênero humano sobre o universo, a sua ambição seria, sem dúvida, a mais sábia e a mais nobre de todas. Pois bem, o império do homem sobre as coisas se apoia unicamente nas artes e nas ciências. A natureza não se domina, senão obedecendo-lhe.

BACON, F. Novum Organum ou verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza. Pará de Minas: M&M Editores. 2003. p. 129.


O trecho acima revela uma característica fundamental da filosofia do inglês Francis Bacon, um dos inauguradores do ciclo moderno de pensamento.
Tal característica está adequadamente resumida em: 

  • A a concepção do conhecimento humano como puramente contemplativo e não utilitário.
  • B a crença de que, para dedicar-se às artes e à ciência, o ser humano precisa abdicar das ambições de domínio sobre a natureza.
  • C a afirmação do caráter utilitário do conhecimento, com o propósito de promover o domínio humano sobre o mundo natural.
  • D a proposta de promover uma integração entre homem e natureza.
  • E um projeto político de governo planetário.
De acordo com o texto A arte diante do mal radical, de Thierry de Duve, a decisão do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque de expor uma série de fotos de pessoas mantidas em campos de extermínio pelo regime de Pol Pot (líder do Khmer Vermelho cambojano entre 1975 e 1979 e responsável pelo massacre sistemático de milhares de civis durante esse período): 
  • A expõe como arte fotos que não são arte, já que desumanas, sendo a arte um patrimônio da humanidade.
  • B convida o espectador a fazer um julgamento estético, levando-o a contemplar as fotos tendo a arte como referência.
  • C faz justiça ao desejo do fotógrafo em ser reconhecido como artista, a despeito das condições em que exerceu sua arte.
  • D justifica atos imorais em nome da arte.
  • E revela que a decisão acerca do status de arte da fotografia compete exclusivamente aos curadores das exposições fotográficas.