Resumo de Sociologia - Socialismo Utópico

Uma teoria baseada no pensamento iluminista

O socialismo utópico teve início entre as Guerras napoleônicas e a Primavera dos Povos, uma série de conflitos que aconteceram em alguns países da Europa durante 1848. O termo socialismo utópico faz uma referência aos pensadores percursores do movimento, que eram chamados assim por sua corrente de pensamento idealista
Os pensadores utópicos acreditavam que a sociedade poderia ser completamente transformada de forma pacífica, sem a necessidade da luta armada. Apenas a revolução proletária e a luta de classes seriam necessárias para a efetivação desse lugar ou estado ideal de felicidade e completa harmonia entre os indivíduos. Uma ideia que estava limitada ao campo do imaginário e não do concreto
Daí o nome “socialismo utópico”. Entre os nomes do movimento, destacam-se o Conde de Saint-Simon, François- Charles Fourier e Robert Owen. A ideologia defendida por eles sofreu fortes influências do pensamento iluminista, como veremos a seguir. 

A influência do iluminismo no Socialismo Utópico

Muito do que era defendido pelos socialistas utópicos tem origem no iluminismo. As fortes críticas à burguesia e ao capitalismo no século XIX, o apelo à razão, ao desenvolvimento científico e ao progresso também eram formas de se alcançar a sociedade ideal. 
O socialismo utópico também tinha como principal característica a defesa da igualdade. Seus teóricos tinham como grande influenciador o iluminista Jean-Jacques Rousseu. Filósofo, Rousseu afirmava que a propriedade privada tinha dado origem à desigualdade social que havia entre os homens. 
Por isso, para os socialistas utópicos, o compartilhamento, cooperativismo, liberdades de escolhas e a comunhão entre os indivíduos seria uma das formas de alcançar a liberdade plena. O francês Charles Fourier, inclusive, desenvolveu uma estrutura para que as famílias pudessem viver em um sistema de cooperação, os chamados falanstérios. 
Os falanstérios podem ser definidos como unidades sociais. Essas estruturas ou edifícios seriam criados para abrigar grandes comunidades e grupos sociais, onde, cada um trabalharia de acordo com sua vocação ou paixão. Além de ser um espaço residencial, haveria também áreas de convivência, oficinas de trabalho, lugares para lazer e recreação. 
Em um lugar como esse não haveria espaço para disputa ou qualquer tipo de distinção, nem mesmo exploração da mão de obra ou busca por lucratividade. Era um modelo de organização projetado para a vida em harmonia e interesses em comum.



Principais nomes do movimento

François Marie Charles Fourier (1772- 1837) foi um grande defensor do socialismo utópico. O comerciante francês, conhecido como um dos pais do cooperativismo, acreditava que era possível garantir melhores condições de vida e trabalho aos operários e isso seria possível por meio da criação de associações e pela união do proletariado.
Ele foi um forte crítico da sociedade burguesa que, segundo Fourier, separava o trabalhador do prazer e era marcada pela repetição e especialização do trabalho operário. O francês também foi um grande defensor da libertação da mulher, principalmente no campo sexual, pois segundo François, o sexo livre seria responsável pela liberação dos instintos e obtenção do prazer. O sociólogo também era contra a distinção dos papéis assumidos entre homens e mulheres no campo social. 
O Conde de Saint-Simon (1760- 1825) também consta como um dos principais nomes do socialismo utópico. Simon tinha origem na nobreza francesa “esclarecida”, que tinha sido influenciada pelos iluministas, por isso tinha pensamentos progressistas. 
O conde não concordava com a desigualdade social e com a pobreza estabelecida na época. Embora não fosse contra a lucratividade alcançada pelo capitalismo e a manutenção dos privilégios, acreditava que os donos das empresas deveriam ter responsabilidades sociais e assumir os impactos causados pela prosperidade. Dessa forma, o dono das indústrias deveriam oferecer melhores condições de vida aos operários para equilibrar a sociedade. 
Robert Owen (1771-1858) – Owen foi um industriário britânico que acreditava na tese em que Rousseau afirmava “O homem é produto do meio”. Para Robert Owen o caráter humano era fruto de suas condições, por isso ele defendia práticas que priorizassem a cooperação, a harmonia e a felicidade, em detrimento das implicações sociais e pobreza causadas pelo capitalismo predatório. 
Owen foi dono de uma grande indústria têxtil na cidade de New Lanark e apesar de burguês optou por seguir aquilo que defendia. Na empresa que comandava ele resolveu fazer algumas mudanças, como: reduzir a jornada de trabalho de seus operários, forneceu melhores condições de moradia e educação com a construção de casas para os funcionários e escolas para seus filhos e também aumentou o trabalho dos trabalhadores. 
Como o próprio nome sugere, o socialismo utópico acreditava em um ideal que não podia ser alcançado. No entanto, o modelo foi muito importante para o desenvolvimento de novos arranjos sociais, influenciando outros movimentos, como o socialismo científico. E sendo pioneiro, buscou dar uma resposta à crescente taxa de pobreza e miserabilidade que surgiu durante a Revolução Industrial. 
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