Resumo de Sociologia - Narcotráfico

Atividade ilícita e que acarreta diversos problemas sociais

O narcotráfico caracteriza-se pela venda ilegal de substâncias psicoativas, conhecidas popularmente como drogas. É uma atividade considerada altamente lucrativa e dinâmica, pois envolve a participação de grupos especializados no cultivo e/ou produção, distribuição e a comercialização de grandes quantidades. 
O tráfico de drogas tornou-se um problema mundial, uma vez que não existem países isentos das consequências geradas, como violência, corrupção entre os membros da segurança pública, controle de territórios por parte do crime organizado, lavagem de dinheiro nos chamados paraísos fiscais, entre outras questões. 
Com as atuais facilidades para o desenvolvimento e transporte dos diversos tipos de drogas, o narcotráfico gera faturamentos maiores que o valor do PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países. Segundo dados do Escritório da ONU contra Drogas e Crimes, a renda anual chega a 500 bilhões de dólares. Já no Brasil, o mercado ilegal movimenta 17 bilhões ao ano. 
Hoje, os maiores produtores do mundo são Afeganistão (ópio), Colômbia, Peru e Bolívia (cocaína). Já o consumidor é os Estados Unidos, seguido da Europa. 

Narcotráfico no mundo 

No contexto internacional, o narcotráfico realiza suas transações das mais diferentes formas. O envio das drogas é feito principalmente por aviões e barcos clandestinos, ou através de transportadores chamados de “mulas”. Essas pessoas, na maioria mulheres, levam as substâncias ilícitas para os destinos estabelecidos pelos recrutadores em troca de dinheiro ou como forma de pagamento de dívidas. 
O tráfico mundial é alimentado por cadeias produtivas. Os países periféricos assumem a fabricação e fornecimento, enquanto os centrais são responsáveis por parte das vendas e consumo. O Brasil e México, por exemplo, possuem os atributos que possibilitam o desenvolvimento desse comércio ilegal, como posição geográfica estratégica, condições físicas e climáticas – o que permite a produção das matérias-primas necessárias para composição ou refinamento das drogas – e mão de obra barata. 
Outro fator que estimula o narcotráfico é a quantidade de compradores. De acordo com a ONU, o número de pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas cresceu 30% em 10 anos (2009 a 2019). Fora isto, cerca de 35 milhões de usuários passaram por transtornos em consequência do consumo e precisaram de tratamento. 
E no Brasil? 
De acordo com os relatórios da Organização dos Estados Americanos e das Nações Unidas, o Brasil tornou-se um dos principais exportadores de entorpecentes no mundo. Por ser um país de grande extensão territorial, favorece as rotas de distribuição para os outros continentes e mantém um grande mercado consumidor – estima-se mais de 1,5 milhões de brasileiros fizeram uso de cocaína e crack no ano de 2019.
Além disso, como faz fronteira com dez países, três dos quais são os maiores fabricantes de cocaína (Peru, Bolívia e Colômbia), e com o Paraguai – que produz maconha e cocaína, mesmo que em menor quantidade –, as tentativas de fiscalização e ações de combate ao tráfico muitas vezes são prejudicadas. Por esses e outros fatores, o Brasil consegue exportar volumosas remessas de cocaína para a Europa Central e Ocidental, Ásia e África. 
Para manter os negócios transnacionais, as organizações criminosas participam de diferentes esquemas, como roubos e desmontes de carros, assaltos a bancos, contrabando de armas, prostituição, lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas políticas. Alguns grupos ainda dominam as zonas periféricas dos grandes centros urbanos, cobrando dos moradores os serviços que deveriam ser mediados pelo poder público, como água e energia. 


Assim como outras atividades ilegais, o narcotráfico é o responsável pelo crescimento no número de assassinatos e prisões. Conforme os dados apresentados pelo “Atlas da Violência 2019 - Retratos dos municípios brasileiros”, das 20 cidades brasileiras mais violentas, 18 estão nas regiões Norte e Nordeste. Este cenário é o resultado da ampliação das rotas e comércio de cocaína, bem como das disputas entre as facções pelo controle desse tipo de mercado. 
O tráfico de drogas também é um dos crimes que mais contribuem para o aumento da população carcerária no país. Segundo Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias de 2019, divulgado pelo governo federal em fevereiro de 2020, dos mais de 700 mil presos, 163,2 mil foram condenados por envolvimento com narcotráfico. A pena estipulada para esses casos varia de 5 a 15 anos. 

Medidas preventivas 

Alguns estudiosos do tema acreditam que a guerra às drogas não tem se mostrado eficaz, pelo contrário, impulsiona ainda mais os assassinatos cometidos pela política e organizações criminosas, além do aumento na quantidade de presos. Para eles, o combate ao narcotráfico depende de iniciativas como:
  • Descriminalização e legalização das drogas;
  • Redução do encarceramento e agilidade nos processos judiciais; 
  • Inserção e execução de medidas socioeducativas no sistema prisional;
  • Criação de políticas eficazes e voltadas para as desigualdades sociais e raciais. 
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