Resumo de Sociologia - Modernidade Líquida

Um conceito para pensar a sociedade atual


Desenvolvido pelo polonês Zygmunt Bauman, modernidade líquida é um conceito sociológico que tenta dar conta do modo como se dão as relações sociais na atualidade. Segundo o sociólogo, a modernidade líquida teve início após a Segunda Guerra Mundial e se estende até os dias atuais. Esse período é marcado pelas transformações nas relações sociais, econômicas e de produção desencadeadas pelo capitalismo globalizado.
Vivemos em um momento histórico em que as relações são frágeis, fugazes e maleáveis, afirma o sociólogo. Além disso, segundo ele, as ideias e relações interpessoais estão susceptíveis a transformações rápidas e imprevisíveis. A modernidade líquida é o tempo histórico em que vivemos. Se você deseja conhecer um pouco mais acerca da análise crítica realizada por Bauman a partir desse conceito, continue a leitura deste artigo.

Modernidade líquida modernidade sólida


O conceito de modernidade líquida nos conduz à ideia de que existiria uma modernidade sólida. E ambas as noções estão presentes no pensamento de Bauman. Em verdade, o primeiro conceito foi elaborado em contraposição ao segundo. De acordo com o sociólogo, no período anterior à Segunda Guerra Mundial, as relações humanas, as relações sociais e até mesmo a ciência eram rígidas e sólidas.
A tradição era um dos elementos que garantia mais solidez às instituições. Desse modo, os valores e as próprias relações se modificam em um ritmo mais lento e, de certo modo, previsível. Na modernidade sólida, a humanidade tinha uma sensação de controle do mundo. As instituições sociais, como a família e o Estado, desfrutavam de certa estabilidade, o que gerava uma sensação social de segurança. Esse contexto, contudo, favorecia o autoritarismo.
A transição da modernidade sólida para a modernidade líquida se dá a partir da segunda metade do século XX. Nesse período, fatores como a instabilidade financeira, o desenvolvimento de novas tecnologias e a globalização foram diluindo o mundo que se conhecia até então. Desse modo, a sensação de controle foi dando lugar às incertezas, especialmente no que diz respeito à adequação com o cenário que se redesenhava. Um reflexo dessas transformações é a dissolução das ideias de coletividade, que são substituídas pelo individualismo.


Os reflexos da modernidade líquida


A transição da modernidade sólida para a modernidade líquida produziu mudanças significativas em todos os aspectos da vida. Segundo Bauman, a efemeridade das relações é uma das principais marcas do nosso tempo. “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”, afirma o sociólogo. Ao refletir sobre esse aspecto social, o pensador polonês evidencia as transformações ocorridas nas relações sociais e de consumo.
Segundo ele, as relações humanas agora se restringem a conexões superficiais que podem ser rapidamente desfeitas como um “deixar de seguir” ou bloquear nas redes sociais. Esse traço é observável desde os vínculos de amizade até os amorosos. Os contatos entre pessoas se dão, unicamente, devido a uma necessidade de prazer momentâneo. Não há mais a criação de vínculos duradouros. Com isso, o termo amigo agora é usado para se referir a colegas ou contatos virtuais.
Na modernidade líquida, a quantidade é mais valorizada que a qualidade das relações. Os sujeitos que possuem mais amigos ou parcerias amorosas são aqueles que desfrutam de maior prestígio social. Nesse contexto, as pessoas são convertidas em mercadorias, que podem ser usadas e descartadas. As subjetividades são desconsideradas e o valor dos indivíduos está diretamente ligado aos produtos que consome. As marcas e as grifes se tornam constitutivas das identidades.
Desse modo, o consumo se torna um marcador importante da modernidade líquida. Contudo, as dinâmicas do capitalismo, anteriormente apontadas por Karl Marx, ganham um novo revestimento. O fetiche passa a se configurar como um impulsionador das compras. Isso acontece porque, além atribuir status social, os produtos criam expectativas de felicidade nos compradores. Os artefatos se tornam valiosos não apenas pela funcionalidade, mas principalmente pelas sensações que despertam.
Inseridos no cenário de individualismo, os sujeitos são tomados por sentimentos de tristeza e ansiedade. Por conta disso, se sentem motivados a consumir para criar conexões com outros sujeitos e ter alegrias momentâneas. É nesse cenário que o consumismo vai se materializando, cada vez mais, como um mal da sociedade moderna. Mais uma vez, o capitalismo converte as pessoas em objetos que são utilizados para satisfazer as necessidades do mercado.
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