Resumo de Sociologia - Meritocracia

Sistema baseado no desempenho individual

O termo Meritocracia deriva da palavra “” que significa ser digno ou merecedor e o sufixo “” que quer dizer poder, força. Dessa forma, a meritocracia pode ser definida como o alcance do poder por meio do merecimento.
Sendo assim, de acordo com essa corrente de pensamento, aqueles que se dedicam mais e se esforçam o suficiente terão seus objetivos alcançados e, por isso, devem receber as melhores premiações, ocupar os melhores espaços, ter acesso aos melhores bens de serviço. Da mesma forma, aqueles que não se empenharam o bastante para atingir a meta receberão mediante o resultado do seu fracasso.
A grande questão em volta da meritocracia é que como alguém pode decidir se alguém é digno ou não dos privilégios? Como de fato essa conquista pode ser atestada? Os critérios de avaliação são justos? As condições entre todos os participantes são justas? São essas perguntas que fazem da meritocracia um tema tão complexo. 

A meritocracia é um mito?


Assim como o liberalismo, o pensamento meritocrático é muito comum nas sociedades modernas ocidentais. A meritocracia se tornou a forma pela qual os recursos são distribuídos e segundo essa teoria, o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos deve ser resultado dos esforços coletivos e individuais, ou seja, da capacitação e do trabalho.


Para entender melhor esse sistema observe o exemplo abaixo.


Em uma prova de natação, todos os competidores saem da mesma linha de chegada ao soar do tiro. Todos eles devem realizar toda a prova sob as mesmas condições de temperatura. Vale lembrar que esses atletas estão muito bem treinados e todos eles disputam em igualdade. Sua posição ao final da prova, dependerá unicamente da capacidade desses nadadores. Os três mais rápidos ficam no pódio e os demais nas outras posições. Esse é um exemplo de prova disputada de forma justa.


Mas, partindo dessa linha de pensamento e trazendo ela para a sociedade, esses nadadores correspondem aos indivíduos. Sua competição pode ser a vida social e o trabalho. Pode-se dizer que os treinos referem-se à formação escolar, qualificação profissional, cursos, e as condições de temperatura são as condições econômicas, o acesso à bens de serviço e lazer. Ao fazer uma análise rápida sobre a sociedade, seus processos de formação, estruturas e classes sociais, é possível dizer que essa “competição” é justa? 


A ideia da meritocracia era mais condizente em um período anterior à fase do capitalismo, pois como a mobilidade social era rara as pessoas só mudavam de título, por exemplo, quando realmente realizavam algo com seus próprios esforços. Mas tentar inserir esse mesmo sistema agora pode promover um distanciamento ainda maior entre aqueles que já possuem os privilégios e os que ainda estão percorrendo os obstáculos. 


Para tornar a competição justa, todos devem partir do mesmo ponto e passar pelos mesmos obstáculos sociais. Será possível que uma jovem de família de classe média, que sempre teve acesso a uma educação de qualidade e uma jovem de família pobre e que estuda na escola pública, disputem, em igualdade, a mesma vaga na universidade? Obviamente, o desempenho das duas, possivelmente, será reflexo das circunstâncias (classe social) em que elas estavam inseridas. 


Por isso, o sistema meritocrático recebe muitas críticas. Não há comprovação de sua eficácia em países onde a desigualdade social é predominante. Para a meritocracia funcionar seria necessário que, inicialmente, as pessoas tivessem as mesmas chances. Ou seja, caberia ao governo oportunizar uma educação de qualidade para todos, promover capacitação à todas as camadas da sociedade, investir em políticas de ações afirmativas e programas de assistência social para tentar tornar a competição justa. 


Uma das formas encontradas pelo governo para oportunizar o acesso a uma boa educação foi através do sistema de cotas. Essa política surgiu justamente porque se entendeu que não é possível que todos os candidatos entrem em uma competição pela vaga na universidade, sendo que nunca houve igualdade entre eles. As cotas vieram para equilibrar a disputa. Assim, as pessoas negras ou de baixa renda podem competir entre eles, que têm as mesmas condições sociais. 

 
Embora ainda se tenha muitas polêmicas ao redor dessa política, a verdade é que através dela, muitas pessoas que não tinham condições de entrar na universidade conseguiram ingressar no ensino superior.

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