Resumo de Sociologia - Divisão Social do Trabalho

Entenda como funciona e quais são as suas implicações


A divisão social do trabalho é uma das marcas impostas pelo sistema capitalista aos modos de produção da sociedade moderna. Ela consiste na fragmentação do processo produtivo, que dá origem a diferentes níveis de especialização. Com isso, o trabalhador passar a desenvolver tarefas específicas dentro do meio produtivo. E, por realizar a mesma atividade diversas vezes, passa a fazê-la com mais eficiência, o que aumenta a velocidade produtiva do sistema como um todo.
Apesar de atribuir maior celeridade ao sistema e diminuir a gama de atividades pelas quais um único trabalhador é responsável, a divisão social do trabalho não está isenta de críticas. Nesse artigo, vamos conhecer as principais implicações desse processo e algumas das críticas que os sociólogos fazem à divisão trabalho que surge a partir do capitalismo. 

As consequências da divisão social do trabalho


A divisão social do trabalho possui implicações observáveis tanto no processo produtivo, quanto nas dinâmicas sociais experimentadas pelo trabalhador. Também é possível observar outras formas de divisão das funções que se desdobram a partir desta primeira, mas não necessariamente se mantém no ambiente empresarial. 
A principal consequência da fragmentação de tarefas impostas pela divisão social do trabalho é o aumento da produtividade. Ela, inclusive, é esperada pelos donos dos meios de produção. Isso acontece porque, ao fazer uma mesma atividade diversas vezes, o trabalhador se especializa naquilo que faz. Assim, passa a fazê-lo com maior agilidade e, desse modo, consegue produzir mais em menos tempo. 


Por outro lado, ele perde a dimensão de todo o processo no qual está inserido. Tem consciência apenas da tarefa que executa, mas não de sua interligação com o que foi feito antes e com o que será feito depois. Segundo Marx, essa característica do sistema capitalista resulta na alienação do trabalhador, que passa a ser parte do processo de produção, do mesmo modo que o maquinário e as ferramentas. 
Além disso, observa-se que a divisão social do trabalho se ampara em uma estruturação valorativa do trabalho. A partir dela, será constituída a distinção entre aqueles que realizam trabalho intelectual, que é socialmente visto como mais importante e, por isso, mais bem remunerado; e os fazem trabalho físico (braçal), que possui menor valor. Nesse contexto, surge aquilo que será chamado de elite social, que possui interesses diferentes do proletário. 

Os sociólogos e a divisão do trabalho 


Alguns sociólogos têm dedicado atenção a entender os fenômenos criados pela divisão social do trabalho. Nesse campo de estudos, os nomes de Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber são algumas das referências para quem se interessa pela temática. Além de ressaltar o aspecto alienante dessa configuração trabalhista, Marx aponta a produção de hierarquias entre classe dominante e classe dominada que ela gera. Para o autor, a tensão criada entre esses dois polos desencadeia a luta de classes. 
No pensamento de Durkheim, por sua vez, fica evidente que no processo de divisão do trabalho preponderam os valorais morais em detrimento dos econômicos. Ainda de acordo com o pensador, são esses valores que possibilitariam o surgimento da solidariedade entre aqueles que desempenham as mesmas tarefas. Por entender a sociedade através da metáfora de um corpo, Durkheim afirma que a divisão do trabalho mantém a harmonia do sistema.
Por fim, Weber aponta a existência de distinções na divisão social do trabalho entre católicos e protestantes. Segundo ele, esses últimos estão mais aliados com o capitalismo. Desse modo, o empreendedorismo passa a figurar como uma atitude ligada com a prática da fé. O autor também evidencia como a burocracia se constitui como um elemento que auxilia as classes dominantes. 

Outras formas de divisão do trabalho 


A especialização de tarefas característica da divisão social do trabalho apresenta desdobramentos que são expressos em diferentes critérios de delimitação das atividades. Entre eles, destaca-se a divisão sexual do trabalho e a divisão internacional do trabalho. Ambas podem ser observadas para além dos muros das fábricas e indústrias onde os trabalhadores desenvolvem suas atividades. 
A primeira diz respeito à especialização de tarefas que têm como critério o gênero. Ela é responsável pelas desigualdades criadas entre homens e mulheres, que se manifestam nas tarefas que lhes são atribuídas e na valorização socioeconômica que elas possuem. O conceito de divisão sexual do trabalho critica, inclusive, o marxismo, que não considerava outras categorias ao falar de luta de classes. 
A divisão internacional do trabalho, por sua vez, está inserida no contexto da globalização e diz respeito ao modo como os diferentes países contribuem para a economia global. Ela cria hierarquias entre os países subdesenvolvidos, em desenvolvimento e desenvolvidos, que se expressam a partir dos tipos de produtos industrializados que eles são habilitados a produzir para o contexto internacional. 
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