Resumo de Sociologia - Comunidade e sociedade

Conceitos fundamentais para os estudos em sociologia


Comunidade e sociedade são termos largamente utilizados para definir agrupamentos de indivíduos. Contudo, ainda que muitas vezes eles possam parecer sinônimos, existem alguns qualificadores que os distinguem e orientam sua utilização dentro dos estudos e pesquisas realizadas no campo da sociologia. Desse modo, é fundamental que tenhamos a compreensão clara das dimensões que cada conceito abarca, bem como das construções teóricas e políticas que estruturam sua aplicação.
O intelectual Max Weber(1864 – 1920), que é considerado um dos fundadores da sociologia, é apontado como o criador dos conceitos de comunidade e sociedade. Para ele, a sociedade era constituída do conjunto de ações individuais que deveriam ser regidas por modelos. Contudo, apesar da importância de Weber para entendermos os conceitos, é o trabalho do sociólogo alemão Ferdinand Tönnies (1855 – 1936) que vai determinar os contornos de sua utilização até os dias de hoje.
Em 1887, ele publicou o livro , que em língua portuguesa pode ser traduzido como Comunidade e Sociedade. Nessa obra, o sociólogo estabelece uma sistematização de ambos os conceitos. O livro é considerado um marco para os estudos realizados pela sociologia e até hoje o pensamento que Ferdinand Tönnies organiza na publicação é fundamental para estudantes e pesquisadores da área.

Aproximações e distinções entre os conceitos


A principal distinção entre os conceitos de comunidade e sociedade diz respeito às dimensões do grupo de pessoas a que cada um se refere. O termo sociedade é, por definição, mais amplo. Desse modo, ele engloba uma maior diversidade de indivíduos que partilham alguns aspectos em comum, como uma cultura, um território e até mesmo um sistema de leis e valores.
A comunidade, por outro lado, é um grupo menor de indivíduos, que apresentam relações mais próximas e partilham interesses e projetos. Enquanto que na sociedade os sujeitos estão mais dispersos, na comunidade há uma conexão maior entre eles. Esse agrupamento de pessoas pode ser entendido como um grupo dentro de um grupo maior, que é a sociedade.


Ao sistematizar os conceitos de comunidade e sociedade, Ferdinand Tönnies afirma que os membros de uma comunidade podem partilhar elementos, como parentesco, língua, religião e território. O pesquisador também afirma a possibilidade de que exista várias comunidades dentro de uma mesma sociedade.
O antropólogo e sociólogo Robert Redfield (1897-1958) também contribuiu para o desenvolvimento de reflexões acerca dos conceitos. Ao se debruçar sobre a organização das comunidades, ele apresenta três aspectos capazes de caracterizar o grupo. Para o estudioso, essa organização social é:
  • Um grupo específico, cujas configurações e limites podem ser facilmente apontados. Isso acontece porque cada comunidade possui especificidades nos comportamentos, cultura e valores; 
  • Trata-se de um grupo social capaz de prover as necessidades de seus membros. Desse modo, não há necessidade de que sejam estabelecidas relações de dependência com aqueles que não integram a comunidade;
  • É um grupo pequeno. 

Alguns dos aspectos apontados por Redfield não mais fazem sentido para pensar as comunidades modernas, já que sua análise é pautada, principalmente nas comunidades agrárias que existiam antes da Revolução Industrial. Além disso, houve uma expansão da ideia de comunidade impulsionada pelo uso dos meios de comunicação e pela globalização, que atualmente possibilita a emergência da ideia de comunidades virtuais

Pensando comunidade e sociedade no Brasil


Transpondo os conceitos para a realidade, podemos considerar que o Brasil é uma sociedade. E apesar dos códigos que são compartilhados entre todos os brasileiros, as relações entre os membros dessa sociedade são, majoritariamente, impessoais. Isso, contudo, não significa dizer que não há um interesse comum no desenvolvimento do país e bem estar de todos.

Ainda pensando as relações de comunidade e sociedade a partir do contexto brasileiro, somos levados a identificar a presença de diversos grupos menores no país. Esses grupos possuem relações mais íntimas dentro de territórios mais bem situados. Exemplos disso são as comunidades tradicionais, como quilombolas, ciganos, judeus, ribeirinhos, pescadores, marisqueiros e muitos outras.

No país, os povos e comunidades tradicionais possuem políticas públicas específicas voltadas para o atendimento das suas necessidades. Em 2007, com a publicação do Decreto 6040, foi criada a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). 

O documento define as comunidades tradicionais como “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos por tradição". 

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