Questão 5 Comentada - Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (SEDUC-AL) - Professor - Sociologia (2021)

Texto CG1A1-I

   A teoria das causas cerebrais dos transtornos mentais passou gradualmente a ironizar tudo o que se relacionava com a forma de vida do sujeito, compreendida como unidade entre linguagem, desejo e trabalho. As narrativas de sofrimento da comunidade ou dos familiares com quem se vive, a própria versão do paciente, o seu “lugar de fala” diante do transtorno, tornaram-se epifenômenos, acidentes que não alteram a rota do que devemos fazer: correção educacional de pensamentos distorcidos e medicação exata.
   Quarenta anos depois, acordamos em meio a uma crise global de saúde mental, com elevação de índices de suicídio, medicalização massiva receitada por não psiquiatras e insuficiência de recursos para enfrentar o problema.
   Esse é o custo de desprezar a cultura como instância geradora de mediações de linguagem necessárias para que enfrentemos o sofrimento antes que ele evolua para a formação de sintomas. Esse é o desserviço dos que imaginam que teatro, literatura, cinema e dança são apenas entretenimento acessório — como se a ampliação e a diversidade de nossa experiência cultural não fossem essenciais para desenvolver capacidade de escuta e habilidades protetivas em saúde mental. Como se eles não nos ensinassem como sofrer e, reciprocamente, como tratar o sofrimento no contexto coletivo e individual do cuidado de si.

Christian Dunker. A Arte da quarentena para principiantes.
São Paulo: Boitempo, 2020, p. 32-33 (com adaptações). 

Acerca das ideias do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


O autor do texto defende que a repressão do sofrimento é capaz de inibir o surgimento de sintomas antes que estes evoluam para quadros mais graves de transtorno mental.

  • Certo
  • Errado

Gabarito comentado da Questão 5 - Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (SEDUC-AL) - Professor - Sociologia (2021)

O gabarito está correto ao considerar o item Errado. O texto não defende a repressão do sofrimento como meio de inibir sintomas. Pelo contrário, critica a abordagem que reduz o sofrimento a meros epifenômenos, priorizando apenas correções educacionais e medicamentosas. O autor argumenta que a cultura (teatro, literatura, cinema, dança) é essencial para desenvolver habilidades de escuta e enfrentamento do sofrimento, permitindo lidar com ele antes que se transforme em sintomas mais graves. ...

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