Questão 1 Comentada - Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região - Rio Grande do Sul - Analista Judiciário - Área Judiciária - FCC (2015)

Ópera é um tipo de teatro no qual a maioria ou todos os personagens cantam durante a maior parte do tempo ou o tempo todo. Nesse sentido, é muito óbvio que ela não seja realística, e com frequência, no decorrer de seus mais de quatrocentos anos de história, tem sido considerada exótica e estranha. Além disso, é quase sempre bastante cara de se encenar e de se assistir. Em nenhum momento da história a sociedade, como um todo, conseguiu sustentar facilmente os custos exorbitantes da ópera. Por que, então, tanta gente gosta dela de maneira tão profunda? Por que dedicam suas vidas a apresentá-la, escrever sobre ela, assistir a ela? Por que alguns fãs de ópera atravessam o mundo para ver uma nova produção ou ouvir um cantor favorito, pagando imensas quantias por esse fugaz privilégio? E por que a ópera é a única forma de música erudita que ainda desenvolve de modo significativo novas audiências, apesar de que, no último século ou por volta disso, o fluxo de novas obras, que uma vez foi seu sangue vital, secou até se reduzir a um débil gotejar?

Essas perguntas são mais sobre a ópera tal como ela é hoje em dia: sobre aquilo em que a ópera se tornou no início do século XXI. No que se segue teremos muito a dizer sobre a história de nosso tema, sobre as maneiras em que a ópera se desenvolveu durante sua jornada de quatrocentos anos até nós; mas nossa ênfase será sempre no presente, no efeito que a ópera continua a ter sobre as audiências no mundo inteiro. Nosso objetivo é lidar com uma forma de arte cujas obras mais populares e duradouras foram quase sempre escritas num distante passado europeu, [...] mas cuja influência em muitos de nós – e cuja significância em nossa vida hoje em dia – é ainda palpável. A ópera pode nos transformar: física, emocional e intelectualmente. Queremos investigar por quê.



Os autores do texto

  • A apontam que a ópera é sempre bastante dispendiosa porque esse tipo de teatro renuncia a personagens que não se fazem presentes em cena por meio do canto.
  • B acusam a incongruência que existe entre a sociedade sustentar produções caríssimas e as pessoas, diferentemente deles mesmos, não investigarem o que justificaria manter esses projetos.
  • C indicam como usual que se tome a ópera como um gênero dramático excêntrico, pelo fato de representar situações estranhas ao que se considera "vida real".
  • D expressam as intenções que têm ao escrever a história da ópera, demonstrando acreditar que a melhor maneira de fazê-lo é fixar-se na atualidade, auge dessa manifestação erudita.
  • E anunciam que têm muito a dizer e deixam entrever que suas reflexões desnudarão alguns mitos sobre a ópera, como a visão idealizada de que a profusão de obras já constituiu o sangue vital desse tipo de teatro.