65. [...] Ao invés de indicar algo que seja comum a tudo o que chamamos linguagem, digo que não há uma coisa sequer que seja comum a estas manifestações, motivo pelo qual empregamos a mesma palavra para todas - mas são aparentadas entre si de muitas maneiras diferentes. Por causa deste parentesco, ou destes parentescos, chamamos a todas de “linguagens”.
[...]
116. Quando os filósofos usam uma palavra - “saber”, “ser”, “objeto”, “eu”, “proposição”, “nome” - e almejam apreender a essência da coisa, devem sempre se perguntar: esta palavra é realmente sempre usada assim na linguagem na qual tem o seu torrão natal? - Nós reconduzimos as palavras do seu emprego metafísico de volta ao seu emprego cotidiano. (WITTGENSTEIN, 2007, p. 116; 169, grifos do autor)
WITTGENSTEIN, L. Investigações filosóficas. In: MARCONDES, D. (Org.).
Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
Com base nos trechos citados, é correto afirmar que
- A segundo Wittgenstein, o emprego metafísico das palavras fundamenta os seus usos habituais.
- B o uso metafísico da linguagem é o que permite falar com sentido sobre a essência das palavras e das coisas.
- C embora exista algo comum a tudo que chamamos de “linguagem”, Wittgenstein opta por não partir dessa constatação.
- D procurar algo comum às diversas linguagens assemelha-se ao procedimento metafísico de buscar a essência das coisas.