Aldous Huxley é conhecido mundialmente pela sua novela Admirável mundo novo, publicada em 1932. Nela, ele descreve uma sociedade utópica na qual tudo é planejado e organizado. O Estado controla a vida de seus cidadãos com pleno consentimento. Nessa sociedade nada acontece, pois, a história acabou. Tudo é previsível na vida de seus habitantes, desde seu nascimento até sua morte, que deveria ocorrer aos 60 anos. Há castas intransponíveis, mas todos são felizes. Não há inquietação social. A vida insípida e seus eventuais momentos de angústia ou de depressão são suprimidos com a ingestão do soma, um psicofármaco livremente distribuído para assegurar a euforia na medida necessária.
A novela de Huxley ficou conhecida por retratar o paradoxo de uma utopia que se converte no seu oposto. Mas essa não é a única razão de sua fama internacional. O futuro distópico de Huxley foi profético e muitas das características dessa sociedade imaginária acabaram se concretizando nas últimas décadas.
O mundo foi globalizado, padronizado e dividido entre dois ou três governos transnacionais que controlam as decisões planetárias. A individualidade e a vida privada foram devassadas pela internet. O controle químico da angústia, da ansiedade e do pânico é, atualmente, uma das prioridades das sociedades contemporâneas, pois, uma premissa fundamental das sociedades pós-modernas é que todos têm o dever de sempre estar bem. A governança triunfou sobre a política e as palavras “direita” ou “esquerda” designam apenas a opção entre a dessubjetivização deliberada ou recoberta pela pseudoliberdade das democracias. Todos se tornam normais em relação a uma sociedade imensamente anormal.
(João de Fernandes Teixeira. Adaptado do texto “Regresso ao admirável mundo novo”. Revista Filosofia Ciência & Vida Ed. 122.)
- A “Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...” (Manuel Bandeira.)
- B “O espírito do livro não poderia ser mais machadiano: com um misto de amargura pelos próprios fracassos e desdém senhorial pelas pessoas que o cercam, Eulálio Montenegro D’Assumpção, um filho da classe alta brasileira, relembra a sua história de maneira não inteiramente honesta. Mas também nos detalhes as dívidas com Machado se revelam.” (GRAIEB, Carlos. Memórias quase póstumas. Veja, São Paulo. Abril. 2009.)
- C “O porcentual de famílias endividadas em todo o País alcançou 57,9% em março, alta de 1,7 ponto porcentual em comparação com fevereiro, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao divulgar nesta terça-feira, 28, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).” (Disponível em: http://istoe.com.br/porcentual-de-familias-endividadas-sobe-a-579-em-marco-revela-cnc/. Março de 2017.)
- D “O que faz da Argentina um destino tão procurado por brasileiros? A resposta não poderia ser mais atraente: o país é praticamente uma espécie de Europa, com a vantagem de estar a poucas horas de casa. A síntese dessa definição é Buenos Aires e Córdoba, suas maiores cidades que respiram ares cosmopolitas e agradáveis, com ótimos restaurantes, parques elegantes e charmosas lojas.” (Disponível em: http://viagemeturismo.abril.com.br/paises/argentina-2/. Março de 2017