Questão 1 Comentada - Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) - Técnico - Atividade Judiciária - FCC (2012)

Nosso espaço

Já somos mais de 6 bilhões, não contando o milhão e pouco que nasceu desde o começo desta frase. Se fosse um planeta bem administrado isso não assustaria tanto. Mas é, além de tudo, um lugar mal frequentado. Temos a fertilidade de coelhos e o caráter dos chacais, que, como se sabe, são animais sem qualquer espírito de solidariedade. As megacidades, que um dia foram símbolos da felicidade bem distribuída que a ciência e a técnica nos trariam - um helicóptero em cada garagem e caloria sintética para todos, segundo as projeções futuristas de anos atrás -, se transformaram em representações da injustiça sem remédio, cidadelas de privilégio cercadas de miséria, uma réplica exata do mundo feudal, só que com monóxido de carbono.
Nosso futuro é a aglomeração urbana e as sociedades se dividem entre as que se preparam - conscientemente ou não - para um mundo desigual e apertado e as que confiam que as cidadelas resistirão às hordas sem espaço. Os jornais ficaram mais estreitos para economizar papel, mas também porque diminui a área para a expansão dos cotovelos. Adeus advérbios de modo e frases longas, adeus frivolidades e divagações superficiais como esta. A tendência de tudo feito pelo homem é a diminuição - dos telefones e computadores portáteis aos assentos na classe econômica. O próprio ser humano trata de perder volume, não por razões estéticas ou de saúde, mas para poder caber no mundo.

(Adaptado de Luís Fernando Veríssimo, O mundo é bárbaro)




Tendo em vista o rápido crescimento populacional, o autor imagina, com seu humor peculiar, que o futuro da humanidade se caracterizará

  • A pela dispersão das pessoas por áreas até agora pouco povoadas, abandonando os centros urbanos já congestionados.
  • B pela inevitável redução do espaço físico de convívio, o que fará da diminuição de tudo uma necessidade geral.
  • C por pesados investimentos nas áreas da ciência e da tecnologia, de modo a modernizar e agilizar os meios de comunicação.
  • D por uma revolucionária distribuição de renda, sem a qual se renderão as ricas cidadelas às hordas das classes humilhadas.
  • E pelo advento das megacidades, em que devem cumprir-se as alentadoras metas futuristas projetadas anos atrás.