Prefeitura Municipal de Santa Luzia - Professor - Língua Portuguesa (2019) Questão 36

Na obra Gramática pedagógica do português brasileiro, Marcos Bagno discute criticamente a noção de erro em torno da ocorrência de orações formadas por “para mim + infinitivo”, como: “O ilustrador trouxe uns desenhos para mim examinar”. O autor argumenta que o uso de “mim”, no lugar de “eu”, pode ser explicado, entre outros fatores, pela atribuição de caso oblíquo pela preposição “para” e, também, pela fusão de duas construções com essa preposição em uma única construção, como mostra o esquema a seguir:


No que diz respeito à postura do professor de português frente a esse tópico de ensino, Bagno

  • A afirma que ninguém precisa ensinar os alunos e as alunas a empregar “para mim + infinitivo”, porque essa construção já está perfeitamente gramaticalizada em sua variedade linguística. Por sua vez, a forma normatizada “para eu + infinitivo” deve ser explicitamente ensinada.
  • B explica que o surgimento da construção “para mim + infinitivo”, peculiar ao português brasileiro, deve-se à influência de línguas indígenas em contato com o português. Não obstante ser um desvio do vernáculo, afirma que os professores não devem estigmatizar o uso da referida construção.
  • C recomenda aos professores que deixem de ensinar como correto o emprego de acusativo com função de sujeito (ex.:“Mandou-a sair”) e como errado o emprego de oblíquo com função de sujeito (ex.:“Esse livro é para mim ler”). Pela coerência da norma, deveria ser empregado, na primeira situação, o pronome reto “ela”: “Mandou ela sair”.
  • D pondera, relativamente ao fenômeno da mudança linguística, que a construção “para mim + infinitivo”, usada frequentemente por falantes urbanos escolarizados, está em conformidade com o português padrão atual e deve, portanto, ser ensinada, em substituição da construção “para eu + infinitivo”.