Questão 2 Comentada - Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (SEDU-ES) - Professor - Língua Portuguesa (2022)

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.   

Ponderação, a mais desmoralizada das virtudes 

        Precisamos reabilitar a ponderação, nem que seja apenas como subproduto da perplexidade, aquilo que faz o marinheiro levar o barco devagar sempre que o nevoeiro é denso. Como ocorre em nosso tempo.

        O fogo selvagem que inflamou ao longo da história as turbas linchadoras do “diferente” que é visto como ameaça − corporificado em bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos − é hoje condenado por (quase) todo mundo.

      No entanto, o mesmo fogo selvagem inflama as turbas linchadoras que se julgam investidas do direito sagrado de vingar bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos etc. Quem acha que o primeiro fogo é ruim e o segundo é bom não entendeu nada.

       Representa um inegável avanço civilizatório a exposição, nas redes sociais, de comportamentos opressivos ancestrais que sempre estiveram naturalizados em forma de assédio, desrespeito, piadinhas torpes e preconceitos variados. Ao mesmo tempo, é um claro retrocesso que o avanço se dê à custa da supressão do direito de defesa e do infinito potencial de injustiça contido no poder supremo de um juiz sem rosto.


(Sérgio Rodrigues, Folha de S. Paulo, 16/11/2017)


O sentido da ponderação anunciada no título e considerada ao longo do texto deve ser entendido, de modo conclusivo, da seguinte forma:

  • A os vícios e os preconceitos de outras épocas precisam ser reparados na justa proporção da violência final a que agora fazem jus os que foram violentados.
  • B os assédios, o desrespeito e os abusos devem nos fazer refletir sobre a razão de serem naturalizados justamente por aqueles que mais os sofreram.
  • C é um premente desafio preservar a reflexão comedida como uma resposta civilizada a violências antigas, que não devem inspirar os lances injustos de uma suposta reparação.
  • D há equilíbrio social, a ser preservado em seus valores básicos, quando se considera como natural a justificativa da supressão temporária dos chamados direitos individuais.
  • E deve prevalecer sempre a necessidade que têm os setores oprimidos da sociedade de se submeterem ao poder discriminatório e rigoroso de um juiz anônimo.