Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Ponderação, a mais desmoralizada das virtudes
Precisamos reabilitar a ponderação, nem que seja apenas como subproduto da perplexidade, aquilo que faz o marinheiro levar o barco devagar sempre que o nevoeiro é denso. Como ocorre em nosso tempo.
O fogo selvagem que inflamou ao longo da história as turbas linchadoras do “diferente” que é visto como ameaça − corporificado em bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos − é hoje condenado por (quase) todo mundo.
No entanto, o mesmo fogo selvagem inflama as turbas linchadoras que se julgam investidas do direito sagrado de vingar bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos etc. Quem acha que o primeiro fogo é ruim e o segundo é bom não entendeu nada.
Representa um inegável avanço civilizatório a exposição, nas redes sociais, de comportamentos opressivos ancestrais que sempre estiveram naturalizados em forma de assédio, desrespeito, piadinhas torpes e preconceitos variados. Ao mesmo tempo, é um claro retrocesso que o avanço se dê à custa da supressão do direito de defesa e do infinito potencial de injustiça contido no poder supremo de um juiz sem rosto.
(Sérgio Rodrigues, Folha de S. Paulo, 16/11/2017)
Uma interpretação adequada da construção integral desse texto deve reconhecer que o
- A título dele promove a devida desmoralização das virtudes, que o autor acredita só ser possível mediante o recurso da ponderação.
- B primeiro parágrafo considera que a perplexidade do nosso tempo histórico pode levar-nos a ponderar e agir com prudência diante das instabilidades modernas.
- C segundo parágrafo admite que a selvageria com que são tratados os “diferentes” não sofre qualquer contestação por parte da opinião pública.
- D terceiro parágrafo comprova que hoje já não se aceitam violências que possam lembrar, de algum modo, as que já se praticaram contra certas comunidades.
- E quarto parágrafo acentua a necessidade de se naturalizar, por via das redes sociais, medidas duramente repressivas, para que se faça justiça a quem já foi oprimido.