Canção Final
Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Canção Final.
Disponível em:<http://zip.net/bkksnp>
O período “Meço o passado com régua de exagerar as distâncias” (linhas 5 e 6) tem o cerne de seu sentido semelhante a todas as colocações a seguir, EXCETO:
- A “Quando a gente gosta // É claro que a gente cuida // Fala que me ama // Só que é da boca pra fora.” (Sozinho – Caetano Veloso)
- B “Por você // Conseguiria até ficar alegre // Pintaria todo o céu de vermelho // Eu teria mais herdeiros // Que um coelho.” (Por você – Frejat)
- C “Quando eu te vi fechar a porta // Eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar // Onde a Dona Maria mora // Porque ela me adora e eu sempre posso entrar.” (Oitavo andar – Clarice Falcão)
- D “E por você eu largo tudo // Vou mendigar, roubar, matar // Até nas coisas mais banais // Pra mim é tudo ou nunca mais.” (Exagerado – Cazuza)