Questão 2 Comentada - Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) - Auditor - FCC (2015)

Só se pode entender a montagem de uma instituição do porte do escravismo moderno atentando-se para a articulação entre a criação de colônias no ultramar e seu funcionamento sob a forma de grandes unidades produtoras voltadas para o mercado externo. A monocultura em larga escala exigia um grande contingente de trabalhadores que deveriam se submeter a uma rotina espinhosa, sem ter nem lucro nem motivação pessoal. Recriou-se, desse modo, a escravidão em novas bases, com a utilização de mão de obra compulsória e que exigia − ao menos teoricamente − trabalhadores de todo alienados de sua origem, liberdade e produção. Tudo deveria escapar à consciência e ao arbítrio desse produtor direto.

Da parte dos contratantes, a ideologia que se conformava procurava desenhar o trabalho nos trópicos como um fardo, um sofrimento, uma punição e uma pena para ambos os lados: senhores e escravos. O discurso proferido pela Igreja e pelos proprietários entendia tal trabalho árduo como uma atividade disciplinadora e civilizadora. Havia inclusive manuais − verdadeiros modelos de aplicação de sevícias pedagógicas, punitivas e exemplares − que instruíam, didaticamente, os fazendeiros sobre como submeter os escravizados e transformá-los em trabalhadores obedientes. Um exemplo regular era o famoso quebra-negro, castigo muito utilizado no Brasil para educar escravos novos ou recémadquiridos e que, por meio da chibatada pública e outras sevícias, ensinava os cativos a sempre olhar para o chão na presença de qualquer autoridade.

Segundo o padre Jorge Benci, que esteve no país no final dos 1600, a razão de submeter os escravos era "para que não se façam insolentes, e para que não busquem traças e modos com que se livrem da sujeição de seu senhor, fazendo-se rebeldes e indômitos". Servindo-se de um discurso paternalista e também religioso − no sentido da promessa de redenção futura −, o sistema era explicado a partir da necessidade do uso exclusivo da coação



No parágrafo 1,

  • A (linha 2) a forma atentando-se é parte de frase que exprime a circunstância necessária para que seja possível o entendimento da montagem de uma instituição do porte do escravismo moderno.
  • B (linhas 8 e 9) a substituição das palavras destacadas em sem ter nem lucro nem motivação pessoal por "ou ... ou", em seu sentido de exclusão, mantém fidelidade à ideia original.
  • C (linhas 6 e 9) as formas verbais exigia e Recriou-se, criando panorama em que outras ações, de caráter momentâneo, terão relevo, exprimem, ambas, ações passadas que tinham continuidade.
  • D (linha 1) não há como justificar o emprego da forma verbal pode: o sentido da frase exige o emprego de "poderia".
  • E (linha 9) a expressão desse modo implica um detalhamento do segmento sem ter nem lucro nem motivação.