Caso clínico: Paciente feminina, 49 anos, trazida pelo SAMU após relato de cefaleia intensa, crise convulsiva tônicoclônica generalizada, permanecia com escala de coma de Glasgow de 4 pontos após a crise, anisocórica. Foi realizado o atendimento inicial primário com intubação orotraqueal e início de sedoanalgesia contínua com midazolam e fentanil, estabilização hemodinâmica e encaminhada para TC do crânio na urgência, a qual revelou hemorragia subaracnoidea difusa com inundação ventricular (Fisher IV). A paciente foi submetida à neurocirurgia de emergência para implante de derivação ventricular-externa e monitorização da pressão intracraniana, realizada arteriografia, que revelou aneurisma roto de artéria cerebral média direita e sinais de vasoespasmo cerebral. Assim, ela foi conduzida à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para suporte intensivo, em uso de nimodipino 60mg 4/4h. No 6º dia de internação, durante a avaliação clínica no plantão, o médico percebeu que a paciente se encontrava com pupilas midriáticas e arreativas, sem reflexo de tosse. Encaminhada, novamente, para TC do crânio na urgência, o exame revelou extensa isquemia bilateral com edema cerebral e sinais de hipertensão intracraniana compatível com suspeita de morte encefálica. Foi, então, suspensa a sedoanalgesia contínua e acionada a equipe da comissão intra-hospitalar de doação de órgãos e tecidos para transplante (CIHDOTT), pois a paciente apresentava função renal e hepática preservadas. Diante desse relato, assinale a alternativa CORRETA quanto ao seguimento do protocolo de morte encefálica.
- A Deve haver o período mínimo de tratamento e observação hospitalar de 8 horas e, em caso de encefalopatia hipóxico-isquêmica, o período passa para 24 horas.
- B Deve haver, pelo menos, dois exames clínicos, realizados em intervalos de 6 horas, comprovando coma aperceptivo e ausência de reflexos de tronco por médicos capacitados.
- C Deve-se aguardar o tempo de 5x a meia vida das drogas sedativas após a suspensão delas, para o início do protocolo; logo, no caso descrito, deve-se aguardar 10 horas da suspensão.
- D Deve a paciente apresentar temperatura corporal superior a 36 ºC, SatO2 acima de 92%, PA sistólica acima de 90mmHg ou PA média acima de 65 mmHg.
- E Deve-se realizar o teste de apneia como parte do protocolo, o qual é considerado positivo quando há ausência de movimentos respiratórios com PaCO2 > 65 mmHg.