SONETO DA HORA FINAL
Vinícius De Morais
Será assim, amiga! Um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto de repente
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei, também, com nostalgia.
E partiremos tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao transpor as fronteiras do Segredo
Tu calma me dirás: Não tenhas medo.
E eu calmo te direi: Sê forte.
E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.
O poeta sabe, como nós, que vai morrer. Esta certeza vem na frase:
- A “Estando nós a contemplar o poente”
- B “Será assim, amiga....”
- C “Tu me olharás silenciosamente”
- D “Ao transpor as fronteiras do Segredo”