Para responder a questão, considere o texto abaixo, de Hélio Schwartsman.
Para responder a questão, considere o texto abaixo, de Hélio Schwartsman.
Como piada, a argumentação da Wikipedia funciona bem. Receio, porém, que essa linha de raciocínio deixe uma fronteira jurídica desguarnecida. Se os direitos pertencem à macaca, por que instrumento legal ela os cedeu à enciclopédia?
Não são, entretanto, questiúnculas jurídicas que eu gostaria de discutir aqui, mas sim a noção de autoria. Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento. Se a foto não tivesse sido tirada por uma macaca, mas por um outro fotógrafo com a máquina de Slater, ninguém hesitaria em creditar a imagem a esse outro profissional.
Só que não é tão simples. Imaginemos agora que Slater está andando pela trilha e, sem querer, deixa seu aparelho cair no chão, de modo que o disparador é acionado. Como que por milagre, a máquina registra uma imagem maravilhosa, que ganha inúmeros prêmios. Neste caso, atribuir a foto a Slater não viola nossa intuição de autoria, ainda que o episódio possa ser descrito como uma obra do acaso e não o resultado de uma ação voluntária.
O trecho destacado acima recebeu formulações alternativas, abaixo transcritas. A única que prejudica o sentido original é:
- A tanto decidir quanta consciência devemos atribuir à símia, como também até que ponto estamos dispostos.
- B tanto decidir quanta consciência devemos atribuir à símia, quanto até que ponto estamos dispostos.
- C decidir quanta consciência devemos atribuir à símia e, igualmente, até que ponto estamos dispostos.
- D não tanto decidir quanta consciência devemos atribuir à símia, quanto até que ponto estamos dispostos.
- E quer decidir quanta consciência devemos atribuir à símia, quer até que ponto estamos dispostos.