Entre a palavra e o ouvido
Nossos ouvidos nos traem, muitas vezes, sobretudo quando decifram (ou acham que decifram) palavras ou expressões pela pura sonoridade. Menino pequeno, gostava de ouvir uma canção dedicada a uma mulher misteriosa, dona Ondirá. Um dia pedi que alguém a cantasse, disse não saber, dei a deixa: “Tão longe, de mim distante, Ondirá, Ondirá, teu pensamento?” Ganhei uma gargalhada em resposta. Um dileto amigo achava esquisito o grande Nat King Cole cantar seu amor por uma misteriosa espanhola, uma tal de dona Quiçás... O ator Ney Latorraca afirma já ter sido tratado por seu Neila. Neila Torraca, é claro. Agora me diga, leitor amigo: você nunca foi apresentado a um velhinho chamado Fulano Detal?
(Armando Fuad. Inédito)
É correto afirmar que, ao se valer da expressão
- A sobretudo quando decifram (...) pela pura sonoridade, o autor se refere exclusivamente ao equívoco causado pela recepção dos sons.
- B Ganhei uma gargalhada em resposta, o autor não deixa entrever qual teria sido a pergunta.
- C uma tal de dona Quiçás, o autor faz ver que o ouvinte se confundiu por não conhecer a personagem.
- D Neila Torraca, o autor se vale de um equívoco de audição inteiramente distinto do que ocorreu em Fulano Detal.
- E Menino pequeno, o autor torna implícito a ela um sentido de temporalidade.