O impacto da Mônica
Depois de Bidu e Franjinha, o leque de personagens de Mauricio de Sousa cresceu, com Horácio, Piteco, Titi e Jeremias. Em 1960, nascia o Cebolinha, inspirado em um galotinho da infância de Mauricio, em Mogi das Cruzes, que também trocava as letras.
O primeiro problema? Seus personagens eram todos homens – à exceção de Maria Cebolinha, que era apenas um bebê. Pegou mal. Um de seus colegas na Folha chegou a dizer: “Você parece misógino...”. Mauricio foi procurar no dicionário o que a palavra significava. Não gostou do que leu.
E encontrou solução dentro de casa: Mônica, uma de suas filhas. Nos quadrinhos, a menina se tornaria a nêmesis baixinha, gorducha e dentuça do Cebolinha. E ela chegou se impondo: “A Mônica é uma menina que, já naquela época, nasceu empoderada. Nos anos 1960, as mulheres queriam alguém que as representasse, que comandasse e reagisse. A Mônica virou a dona da rua a pedido dos próprios leitores.” É o que diz a própria... Mônica. A de carne e osso. Mônica Spada e Sousa é, hoje, diretora executiva da Mauricio de Sousa Produções.
Com a Mônica, as tirinhas viraram gibi para valer. A primeira revista da baixinha surgiu em 1970. Com uma tiragem de 200 mil exemplares, era o maior número de impressões para um personagem nacional.
(Ingrid Luísa, “O plano realmente infalível de Mauricio de Sousa”. Superinteressante, junho de 2019)
As informações do texto mostram que a criação da Mônica
- A aconteceu devido aos reiterados pedidos dos leitores de tirinhas, que nutriam admiração pelos personagens masculinos de Mauricio de Sousa, mas achavam que o universo feminino precisava de espaço.
- B decorreu da necessidade de um personagem feminino, pois, além de todos os outros serem homens, um colega de trabalho de Mauricio de Sousa chegou a sugerir que ele teria aversão a mulheres.
- C representou o ápice da produção de tirinhas de Mauricio de Sousa, quando ele pretendeu ampliar os negócios e passou a produzir gibis, ainda em tiragem tímida para personagens de âmbito nacional.
- D surgiu como uma oportunidade de Mauricio de Sousa homenagear a sua filha, criando uma personagem que, à moda das mulheres da época, já nasceu empoderada e dando as ordens a todos que a rodeavam.
- E foi fruto de uma advertência recebida por Mauricio de Sousa por um colega da Folha, que o acusou de machista por não ter criado, até então, nenhum personagem que representasse o universo feminino.