Leia o texto para responder à questão.
O meu olhar. (Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos").
O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
Com base na leitura do texto, assinale a alternativa incorreta.
- A De acordo com a leitura do texto, compreende-se que amar é a eterna inocência e a única inocência é não pensar.
- B O eu lírico diz ter o costume de andar pelas estradas, olhar para a direita e para a esquerda, de vez em quando, olhar para trás.
- C O eu poético menciona que o Mundo não se fez para pensarmos nele, mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
- D Segundo o texto, quem ama sabe o que ama, porque ama e o que é amar.