Prova da Prefeitura de Florianópolis - Administrador Escolar - IBADE (2024) - Questões Comentadas

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Leia os trechos e fragmentos a seguir, e marque a alternativa correta, conforme a ordem disposta, quanto à classificação das figuras de linguagem:
1 “quando você me deixou, meu bem/ Me disse pra ser feliz e passar bem/ quis morrer de ciúme, quase enlouqueci...” Olhos nos Olhos de Chico Buarque;
2 “Na madrugada, na mesa do bar/ Louras geladas vêm me consolar...” Louras Geladas, RPM;
3 “..., mas o Brasil vai ficar rico...” Que país é este, Legião Urbana;
4” Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino que se encolhia, os joelhos encostados ao estômago, frio como um defunto.” Vidas Secas, Graciliano Ramos;
5” E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, ...” O Cortiço, Aluísio de Azevedo.

  • A metáfora, comparação, metonímia, gradação e catacrese.
  • B hipérbole, metáfora, metonímia, comparação e gradação.
  • C hipérbato, comparação, metáfora, zeugma e paradoxo.
  • D antítese, silepse, metáfora, comparação e perífrase.
  • E prosopopeia, metáfora, perífrase, comparação e hipérbole.

Pode-se depreender dos fragmentos abaixo várias questões sociais que foram e são levadas ao conhecimento público através da literatura. Leia e marque a alternativa correta de acordo com os comentários.
Texto 1 “Já vê sobrinho que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, sua prima, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor, porém, não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!...Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!...O senhor é um moço muito digno, muito merecedor de consideração, mas...foi forro à pia batismal, e aqui ninguém o ignora.” O Mulato – Aluísio de Azevedo;

Texto 2 “Aurélia passava agora as noites solitárias. Raras vezes aparecia Fernando, que arranjava uma desculpa para justificar sua ausência. A menina...não contestava esses fúteis inventos. [...]
Pensava que ela não tinha nenhum direito a ser amada por Seixas; pois a afeição que lhe tivesse, muita ou pouca, era graça que dele recebia. Quando se lembrava que esse amor a poupara à degradação de um casamento de conveniência, nome com que se decora o mercado matrimonial, tinha impulsos de adorar a Seixas, como seu Deus e redentor. Parecerá estranha essa paixão veemente, rica de heroica dedicação, que assiste calma, quase impassível, ao declínio do afeto com que lhe retribuía o homem amado, e se deixa abandonar, sem proferir um queixume, nem fazer um esforço para reter a ventura que foge.
Esse fenômeno devia ter uma razão psicológica, de cuja investigação nos abstemos; porque o coração, e ainda mais o de uma mulher que é toda ela, representava o caos do mundo moral.
Ninguém sabe que maravilhas ou que monstros vão surgir desses limbos. Suspeito eu, porém, que a explicação dessa singularidade já ficou assinalada. Aurélia amava mais seu amor do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem. Senhora, de José de Alencar; 

Texto 3 “-Esta obrigação de casar as mulheres é o diabo!...Se não tomam estado, ficam jururus e fanadinhas...; se casam podem cair nas mãos de algum marido malvado...E depois, as histórias!...Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo... São redomas de vidro que tudo pode quebrar...Enfim, minha filha, enquanto solteira, honrou o nome de meus pais...O Manecão que se aguente, quando a tiver por sua...Com gente de saia não há que fiar... Cruz! Botam famílias inteira a perder; enquanto o demo esfrega o olho.
Esta opinião injuriosa sobre as mulheres é, em geral, corrente nos sertões e traz como consequência imediata e prática, além da rigorosa clausura em que são mantidas, não só o casamento convencionado entre parentes muito chegados para filhos de menor idade, mas sobretudo os numerosos crimes cometidos, mal se suspeite possibilidade de qualquer intriga amorosa entre pessoa da família e algum estranho.” Inocência, de Visconde de Taunay;

Texto 4 “Esse bando que vive da rapina se compõe, pelo que se sabe, de um número superior a 100 crianças das mais diversas idades, indo desde os 8 aos 16 anos. Crianças que, naturalmente devido ao desprezo dado à sua educação por pais pouco servidos de sentimentos cristãos, se entregaram no verdor dos anos a uma vida criminosa. São chamados de “Capitães da Areia” porque o cais é o seu quartel-general. E têm por comandante uma mascote dos seus 14 anos, que é o mais terrível de todos, não só ladrão, como já autor de um crime de ferimentos graves, praticado na tarde de ontem. Infelizmente a Identidade deste chefe é desconhecida.
O que se faz necessário é unia urgente providência da polícia e do juizado de menores no sentido da extinção desse bando e para que recolham esses precoces criminosos, que já não deixam a cidade dormir em paz o seu sono tão merecido, aos Institutos de reforma de crianças ou às prisões. Passemos agora a relatar o assalto de ontem, do qual foi vítima um honrado comerciante da nossa praça, que teve sua residência furtada em mais de um conto de réis e um seu empregado ferido pelo desalmado chefe dessa malta de jovens bandidos.
[...]
Carta do Padre Jose Pedro à Redação do jornal da Tarde
Sr. Redator do Jornal da Tarde.
Saudações em Cristo.

Tendo lido, no vosso conceituado jornal, a carta de Maria Ricardina que apelava para mim como pessoa que podia esclarecer o que é a vida das crianças recolhidas ao reformatório de menores, sou obrigado a sair da obscuridade em que vivo para vir vos dizer que infelizmente Maria Ricardina tem razão. As crianças no aludido reformatório são tratadas como feras, essa é a verdade. Esqueceram a lição do suave Mestre, sr. Redator, e em vez de conquistarem as crianças com bons tratos, fazem-nas mais revoltadas ainda com espancamentos seguidos e castigos físicos verdadeiramente desumanos. Eu tenho ido lá levar às crianças o consolo da religião e as encontro pouco dispostas a aceitá-lo devido naturalmente ao ódio que estão acumulando naqueles jovens corações tão dignos de piedade. O que tenho visto, sr. Redator, daria um volume.
Muito grato pela atenção.
Servo em Cristo,
Padre José Pedro
(Carta publicada na terceira página do Jornal da Tarde, sob o título Será Verdade? e sem comentários.) Capitães de Areia, Jorge Amado.

  • A No texto 1, há a questão do preconceito social e racial; no texto 2, a questão abordada é a inferioridade da mulher frente à sociedade; no texto 3, a questão presente é o casamento por conveniência e a preocupação com o futuro feminino; no texto 4, a questão do menor abandonado, da miséria na qual viviam e o cuidado da sociedade para com esse grupo.
  • B No texto 1, a questão versa sobre o preconceito de classes e não racial; no texto 2, o assunto tratado é a questão da baixa autoestima feminina, dos padrões impostos pela sociedade de como a mulher deveria ser e se portar; no texto 3, o tema fala da questão machista, da honra da família e o que menos importa é a felicidade das mulheres; no texto 4, o assunto é a miséria, a marginalização, os cuidados da sociedade e a solidão dos meninos de rua.
  • C No texto 1, a abordagem é sobre o preconceito racial, a hipocrisia da sociedade e à questão social; o texto 2 aborda a questão da submissão feminina, da falta de autoestima, da relação tóxica e abusiva e da misoginia; o texto 3 contém misoginia, submissão feminina e preconceito racial; o texto 4 aborda a questão dos meninos de rua, a miséria e solidão com as quais convivem, o descaso e maus-tratos da sociedade para com eles.
  • D O texto 1 aborda a questão do preconceito racial e preocupação com a opinião alheia; o texto 2 aponta a problemática da submissão feminina, da baixa autoestima, dos relacionamentos tóxicos e abusivos aos quais as mulheres se submetem ; no texto 3, a questão é de machismo, preocupação com a honra masculina e onde a mulher é vista como um problema para a família; no texto 4, o assunto gira em torno dos menores abandonados que vivem na miséria, na solidão, enfrentam maus-tratos e o descaso da sociedade.
  • E O texto 1 trata sobre a escravidão e seus percalços; o texto 2, faz uma abordagem quanto à liberdade feminina e sua emancipação; o texto 3 trata de misoginia, de submissão feminina e relacionamentos tóxicos; o texto 4 aborda o descaso e a marginalização dos meninos de rua que vivem confortavelmente por conta dos roubos que cometem.

Leia o texto:
É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!
Arnaldo Jabor.

Marque a alternativa correta quanto aos assuntos abordados no texto.

  • A O texto aborda dois perfis complementares de mulheres – aquela que é de bem com a vida, que aproveita cada minuto e não se preocupa com a opinião alheia sobre a sua aparência e a que se cuida, e segue padrões impostos pela sociedade para agradar a todos. Uma complementa a outra.
  • B O texto valoriza a escolha da mulher pelo que ela é e não por sua aparência, pois para um relacionamento o que conta não é a beleza em si, mas como a pessoa age, compartilha e se posiciona; e critica a futilidade na preocupação excessiva com a aparência.
  • C O texto critica a mulher que tem celulite, que está fora dos padrões estéticos desejados pela sociedade, que não pratica esportes e que faz tudo para agradar aos homens, sem realmente aproveitar a vida.
  • D O texto é contraditório, tem um tom preconceituoso quando diz que a mulher que faz exercício físico, que se preocupa com a aparência, não tem um conhecimento vasto é fútil; no entanto, exalta a importância de a mulher estar com a aparência impecável em todas as situações.
  • E O texto traz dois perfis antagônicos, que se completam pela opressão da sociedade em exigir padrões de beleza inalcançáveis.

Leia o texto abaixo e marque a alternativa correta quanto aos comentários.
“homens têm bolsos para guardar coisas, mulheres para decoração.” Essa frase de Christian Dior em 1954, ajudou a consolidar a ideia de que os bolsos femininos são e eram meramente decorativos. Atualmente, os bolsos em jeans femininos são, em média, 48% mais curtos e 6,5 % mais estreitos do que os masculinos.
Essa canalhice começou na Era Georgiana (época de Orgulho e Preconceito, Bridgerton e outros). Antes, o vestuário feminino comportava grandes bolsos, muitas vezes amarrados à cintura e usados sob as saias, permitindo carregar diversos itens com facilidade, e cujo acesso se dava por aberturas laterais na saia para que as mãos pudessem alcançá-los facilmente.
No final do século XVIII e durante o período Regencial, as saias volumosas foram substituídas por vestidos que possuíam caimento mais justo ao corpo e cintura, e então, por isso, não podiam acomodar bolsos sem comprometer a silhueta. Para contornar o problema, surgiram as retículas pequenas bolsas que precisavam ser carregadas à mão, tornando as mulheres mais vulneráveis a roubos. Durante o surgimento do sufrágio universal feminino, a demanda por bolsos aumentou, refletindo a conexão entre bolsos e direitos das mulheres. Porém, após a segunda guerra mundial, a moda feminina se tornou cada vez mais ajustada, eliminando bolsos funcionais. @oimofinho, modificado.

  • A “homens têm bolsos para guardar coisas, mulheres para decoração.” ´nesse trecho há uma figura de linguagem denominada elipse e o “para” indica finalidade.
  • B Os verbos “têm” e “surgiram” pertencem ao modo indicativo, um no presente do indicativo e o outro no pretérito perfeito do indicativo; enquanto “carregadas” e “eliminando” são do modo subjuntivo, sendo gerúndio e particípio respectivamente.
  • C “.... vulneráveis a roubos.” É um caso de concordância nominal porque quem é vulnerável, é vulnerável a alguma coisa, a preposição se faz necessária.
  • D “e cujo acesso se dava por aberturas laterais na saia para que as mãos pudessem alcançá-los facilmente.” Alcançá-los - o pronome obliquo faz referência ao termo referente acesso.
  • E Sufrágio universal feminino é uma variação histórica da língua.

Leia o texto abaixo e marque a alternativa correta conforme os comentários.
Nutricionista Marina Gusmão
Chamar alguém de plus size é mais "aceitável" do que chamar alguém de gorda, ou seja, o termo plus size se tornou um eufemismo para a palavra gorda. Mas por que precisamos de um termo mais “brando” para o adjetivo gorda? Por que tem que ter um nome específico para tamanhos maiores? Por que não existe um termo antagonista ao plus size, um “less size”? Por que o termo gord@ é ofensivo, mas o termo magr@ é elogio?
A palavra plus size não deveria servir como um “escudo”, porque a palavra gorda não é ofensiva. Pelo menos não deveria ter essa conotação. O número da balança não determina absolutamente nada sobre o seu caráter, os seus valores e a sua essência. Porém a mídia, por estar o tempo todo repetindo a mensagem de que gordura é sinônimo de fracasso, infelicidade, doença, e que o seu valor é determinado pelo número da balança, nós acreditamos que isso é um fato. É aquela história de água mole, pedra dura. Nós aceitamos que a frase “gorda é xingamento” sem questionar o porquê disso. Gordo não é um xingamento. Gordo é apenas uma característica física de uma pessoa, assim como alto/baixo. E como alto/baixo significa apenas DIFERENTE DE e não PIOR ou MELHOR QUE, a palavra gorda também deveria ter uma carga neutra. Particularmente, eu prefiro a palavra gorda, por ser mais honesta e menos preconceituosa.
@nutriricardodurante, em https://www.facebook.com/photo/?fbid=1935929506542&set=a.758961 699571668&_tn_=,0#f

  • A Os vocábulos “brando” e “eufemismo” não possuem a mesma carga semântica dentro do contexto do texto.
  • B “Por que não existe um termo antagonista ao plus size, um “less size”? Por que o termo gord@ é ofensivo, mas o termo magr@ é elogio?” Plus size e less size, gorda e magra, ofensivo e elogio são paradoxos.
  • C “Escudo” e “...água mole, pedra dura.” Foram usados no sentido denotativo.
  • D “...sem questionar o porquê disso.” e “. O número da balança não determina absolutamente nada sobre o seu caráter, ...” os dois vocábulos em negrito pertencem a mesma classe de palavras, pois são substantivos.
  • E “...por ser mais honesta e menos preconceituosa.” As palavras em negrito pertencem a classes gramaticais distintas, pois honesta é substantivo e preconceituosa é adjetivo.