Prova do 2024 - Vestibular - COPESE - Questões Comentadas

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O fragmento ao lado (Texto I) apresenta dois importantes momentos em relação ao estado de espírito do sujeito poético. Sobre isso, considerando o que ele observa e o que demonstra sentir, leia atentamente as sentenças abaixo e marque a alternativa que melhor indique esse estado psicológico:

  • A Da 1ª a 5ª estrofe, pode-se observar que o sujeito poético contempla a paisagem marítima, admirando o que vê, sem quaisquer alterações de seu estado psicológico.
  • B A partir da 5ª estrofe, tendo como base a descrição da cena do navio pelo sujeito poético, percebe-se que seu estado de espírito acompanha o sofrimento das pessoas escravizadas.
  • C Nos versos posteriores a 6ª estrofe, pode-se observar que o sujeito poético se empenha em resgatar uma certa harmonia psicológica, ao contemplar a dança e o canto das pessoas escravizadas.
  • D Da 1ª a 4ª estrofe, pode-se perceber que o sujeito poético sente-se horrorizado ao observar a violência sofrida pelas pessoas escravizadas, sobretudo quando avista o navio negreiro.
  • E A partir da última estrofe, embora o sujeito poético pareça denunciar a violência praticada no navio, há uma impressão de pacificação entre a multidão, restaurando seu estado de espírito inicial.

Em relação ao Texto I, de Castro Alves, e a canção de Chico Buarque, texto II, marque a única alternativa que não se adequa a uma interpretação pertinente.

  • A A canção de Chico Buarque atualiza o poema de Castro Alves, ao mostrar as novas formas de tortura e racismo da sociedade moderna, conforme podemos perceber nos versos da segunda estrofe.
  • B A menção a Benguela e a Guiné na canção de Chico Buarque pode ser compreendida como referência à questão histórica do tráfico de escravizados oriundos do continente africano para o Brasil.
  • C A quarta estrofe da canção de Chico Buarque menciona a prisão que, no contexto dos versos, pode significar tanto a condição dos porões dos navios negreiros quanto a condição do sistema prisional atual.
  • D A representação de atos de covardia é recorrente em ambos os textos, conforme podemos perceber nos versos “Ouvem-se gritos... o chicote estala” e “Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria”.
  • E O poema de Castro Alves descreve os horrores praticados e sofridos em um navio negreiro, enquanto a canção de Chico Buarque limita-se a uma crítica direcionada apenas à desigualdade social no Brasil.

O poema de Jarid Arraes conta um pouco da história de Luísa Mahin, uma princesa oriunda do Golfo da Guiné, na África Ocidental. Ela foi capturada no continente africano e, tendo sido escravizada, enviada ao Brasil. Posteriormente alforriada, integrou o grupo da Insurreiçãoo dos Malês, formado, principalmente, por africanos e afrodescendentes de religião islâmica. A luta dos Malês em prol da abolição da escravatura foi importante para as lutas que vieram depois, mas a insurreição não foi vitoriosa naquele momento da história (1835). O fim da escravatura no Brasil ocorreu, legalmente, apenas em 1888.

A partir dessa informação, tendo como base o poema de Jarid Arraes e a canção de Chico Buarque (Texto II), marque a opção cujos versos, de ambos os textos, melhor indiquem a representação da expressão do racismo na sociedade brasileira:

  • A “Quando pinta em Copacabana / A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba / A caravana do Irajá, o comboio da Penha” e “Mas Luísa era guerreira / A rebelde sem igual / Fez ainda de sua casa / Como um quartel general”.
  • B “A gente ordeira e virtuosa que apela / Pra polícia despachar de volta / O populacho pra favela” e “O pai branco de Luís / O vendeu quando criança / Separando de sua mãe / Na racista podre herança / De ser branco dominante”.
  • C “É um dia de real grandeza, tudo azul / Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos / Um sol de torrar os miolos” e “Apesar de tudo isso / E de tudo que lutou / Essa mulher imponente / Muito se silenciou”.
  • D “Sol, a culpa deve ser do sol / Que bate na moleira, o sol / Que estoura as veias, o suor” e “Importante mencionar / Que foi mãe de Luís Gama / Poeta e abolicionista / De imensurável chama”.
  • E “Não há gente tão insana / Nem caravana do Arará / Não há, não há” e “Poeta e abolicionista / “De imensurável chama / E por ele foi citada / Respeitando sua fama”.

No poema da moçambicana Paulina Chiziane, é possível observar a seguinte figura de linguagem:

  • A Aliteração, como se observa em “Acorrentado vim, cruzando o mar”.
  • B Apóstrofe, como se observa em: “Chorando de dor, ó mãe África!”.
  • C Pleonasmo, como se observa em: “Escravizado sou, como animal”.
  • D Prosopopeia, como se lê em: “Escravizado sou, como animal”.
  • E Sinestesia, como se lêe em: “Chorando de dor, ó mãe África!”.

A Escritora Conceição Evaristo compreende que, em seus poemas e em suas narrativas, as vozes e experiências da população negra brasileira e, principalmente, das mulheres negras, são evocadas, configurando um conceito de escrita que ela nomeara de “Escrevivências”, que diz respeito `a escrita das “vivências” e “experiências” de pessoas negras. A partir dessa informação, e considerando o trecho do romance ”Ponciá Vicêncio”(Texto V), focado na vida da personagem negra homônima ao título, assinale a alternativa correta:

  • A A “Escrevivência” diz respeito à escrita da vida e experiência de uma mulher negra, sofrida e cansada, que não vislumbra uma possível saída para as suas inquietações e seu sofrimento.
  • B A “Escrevivência” diz respeito `a escrita das vivências e das experiências de uma mulher negra que gostaria de sair do povoado onde nascera para deixar de ser explorada pela mãe.
  • C A “Escrevivência” diz respeito à representação da vida de uma mulher negra que, após longa reflexão, decide ir embora do seu povoado.
  • D A “Escrevivência” está relacionada à representação da vida da personagem Ponciá Vicêncio, que não era bem remunerada pelo seu trabalho e, por isso, decide partir.
  • E A “Escrevivência” se observa na representação do sofrimento de Ponciá Vicêncio que, ao mesmo tempo, vislumbra a possibilidade de uma nova forma de vida e existência.