A preponderância do Candomblé, em certos casos, vai diluindo, apagando mesmo, as outras práticas, sobretudo em locais e situações onde elas não possuíam grande vigor. Creio que a Pajelança pode exemplificar isso. Verificou-se no transcorrer da pesquisa que seis babalorixás de Macapá iniciaram a vida religiosa pela Cura. Sendo que um destes, pai Marcos Ribeiro Ode Olu Fonnin, descreveu detalhadamente, conforme veremos no prosseguimento deste estudo, todos os procedimentos a que teria se submetido, em Belém, na década de 1980, para se tornar curador ou pajé
PEREIRA, Decleoma Lobato. O candomblé no Amapá: história, memória, imigração e hibridismo cultural. Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia da Universidade Federal do Pará. Mestrado em História). Belém, 2008.
A prática da pajelança, apresentada no texto como sendo uma das muitas realidades do universo cultural em Macapá, pode ser definida como
- A uma prática religiosa de exclusividade indígena, restrita às aldeias afastadas de centros urbanos, sem qualquer interação com outras manifestações religiosas presentes em Macapá.
- B um ritual de caráter católico romano, incorporado pela Igreja desde o período colonial como forma oficial de evangelização das populações amazônicas.
- C uma expressão religiosa popular, marcada por rituais de cura e pelo uso de saberes tradicionais associados à cosmologia indígena e à experiência cotidiana da comunidade.
- D uma prática religiosa extinta desde o período colonial, substituída por cultos cristãos após a urbanização da cidade de Macapá.
- E um conjunto de rituais de magia ocultas, sem caráter religioso ou simbólico, praticados de forma clandestina e marginal à vida social macapaense.