Leia as considerações sobre xamanismo de Els Lagrou, antropóloga especializada em estudos ameríndios:
“A consciência de que tudo está conectado e que todas as ações produzem reações, não somente gestos como também palavras, imagens vistas e pensamentos cultivados, é o que subjaz ao conhecimento xamanístico. Entre os Huni Kuin (Kaxinawá), o xamã se expressa pela performance e pelo canto que produz as visões, permitindo guiar as pessoas que participam desse ritual e ensinando-as a ver aquilo que se procura ver e, principalmente, a não se perder sob o efeito de bebidas visionárias. No caso dos Kaxinawa, os desenhos ganham um papel crucial nesse mundo visionário, pois eles são como caminhos que permitem ‘ver’ a realidade sob diferentes perspectivas”.
(Adaptado de https://revistausina.com/2015/07/15/entrevistacom-els-lagrou/)
No trecho acima, o fenômeno do xamanismo é interpretado como:
- A rede de significação que organiza mitos e permite estruturar as hierarquias sociais reproduzindo as assimetrias de poder;
- B sistema relacional e perspectivista ligado à arte e à cosmologia, em que os desenhos corporais representam mapas do universo espiritual;
- C ferramenta social voltada para controlar o medo e as incertezas da comunidade, mediante práticas de cura com substâncias enteógenas;
- D doutrina religiosa panteísta dotada de uma cosmologia definida e válida para todos os seus praticantes, cuja preservação cabe aos xamãs;
- E prática mágica voltada a ritualizar os saberes e a legitimar os mitos de origem de cada etnia, fortalecida pela crença na comunicação com espíritos durante o estado de transe.