Questões de Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura (História)

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Não estamos longe da definição de Lucien Febvre, um especialista no século XVI, o qual, junto com Marc Bloch, fundou nos idos de 1929 a prestigiosa escola dos Annales, que teria papel fundamental na constituição de um novo modelo de historiografia. Segundo Febvre, a “história era filha de seu tempo”, o que já demonstrava a intenção do grupo de problematizar o próprio “fazer histórico” e sua capacidade de observar.

(Lilia M. Schwarcz, “Apresentação à edição brasileira – Por uma historiografia da reflexão”. Em: Marc Bloch, Apologia da História, 2001)

Considerando o exposto, de acordo com a corrente historiográfica abordada, está correto afirmar que

  • A as mudanças sociais têm uma sequência e regularidade que obedecem a determinados padrões.
  • B cada época elenca temas de pesquisa que revelam mais de suas próprias inquietações e convicções.
  • C a História é o grande princípio explicativo da conduta, dos valores e dos elementos da cultura humana.
  • D a ciência histórica deve buscar aproximação cada vez maior com os métodos das ciências naturais.
  • E um corpo metodológico estruturado evita juízos prévios de valor e pressupostos subjetivos.

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Com efeito, algumas das práticas e crenças da chamada História oral “militante” levaram a equívocos que convêm evitar. O primeiro deles consiste em considerar que o relato que resulta da entrevista de História oral já é a própria “História”, levando à ilusão de se chegar à “verdade do povo” graças ao levantamento do testemunho oral. [...]. Essa confusão aparece algumas vezes ainda hoje em trabalhos ditos acadêmicos; por exemplo, em dissertações ou teses que se limitam a apresentar o texto transcrito de uma ou mais entrevistas realizadas, como se esse fosse um resultado legítimo e final da pesquisa.

(V. Alberti, “Fontes orais – Histórias dentro da História”. Em: C.B. Pinsky (org.), Fontes Históricas, 2008)

Partindo do contexto abordado pelo fragmento, está correto afirmar que as fontes orais

  • A prescindem de outras formas e linguagens documentais, especialmente em sociedades primitivas e sem nenhum tipo de escrita.
  • B necessitam ser, como todos os documentos históricos, interpretadas e analisadas, bem como relacionadas a uma pluralidade de fontes.
  • C fazem parte de uma perspectiva metodológica que se constituiu como uma das principais vias de construção do conhecimento histórico no século XIX.
  • D podem ser utilizadas como documentos comprobatórios de determinada ocorrência no passado, desde que proferidas em ambiente que assegure imparcialidade.
  • E devem ser compreendidas como um tipo de fonte secundária, isto é, cujos dados se encontram em estado bruto, pois ainda não foram tratados cientificamente.

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Memória, história: longe de serem sinônimos, tomamos consciência que tudo opõe uma à outra.

(Pierre Nora, “Entre Memória e História – A problemática dos lugares”, 1993. Disponível em: http://www4.pucsp.br/ projetohistoria/downloads/revista/PHistoria10.pdf)

Considerando a perspectiva da corrente historiográfica subjacente ao excerto, está correto afirmar que uma das distinções fundamentais entre os dois conceitos mencionados consiste na ideia de que a memória

  • A busca a idealização do passado para a construção de identidades, enquanto a história utiliza métodos científicos para uma reconstrução isenta dos acontecimentos.
  • B reside essencialmente em relatos orais e tradições populares, enquanto a história baseia-se em registros escritos e documentos comprobatórios.
  • C é um fenômeno espontâneo e universal, típico das camadas populares, enquanto a história é um campo de estudo acadêmico restrito a especialistas.
  • D tende a ser seletiva e afetiva, influenciada por sentimentos e experiências pessoais, enquanto a história aspira à crítica e à contextualização dos eventos.
  • E acaba sendo uma ocorrência individual e subjetiva, enquanto a história é coletiva e objetiva, buscando a neutralidade nas análises.

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Uma das primeiras obras que reivindicou pertencer a esse gênero, e do qual poderíamos até dizer que é inventora, foi o livro de um historiador mexicano, Luís González y Gonzáles, Pueblo en vilo [...], publicado em 1968. Tratava-se de um estudo monográfico sobre uma comunidade aldeana do México central ao longo de quatro séculos, levado a cabo com a convicção de que esse tipo de abordagem seria suscetível de restituir uma parte ignorada ou escondida da existência social, uma parte que o autor não hesitava em caracterizar como mátria, feminina, próxima, familiar, afetiva. A monografia e, particularmente, a monografia aldeana é um gênero solidamente instalado nos hábitos historiográficos [...].

(Jacques Revel, “[...]: o que as variações de escala ajudam a pensar em um mundo globalizado”. Disponível em: https://www.scielo.br/ j/rbedu/a/k5MsKMHv6ZQvPsF5vqvdkpB/?format=pdf&lang=pt)

O gênero a que se refere o excerto é a

  • A história comparada.
  • B história dos modos de produção.
  • C micro-história.
  • D história vista de cima.
  • E proto-história

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No decorrer dos anos 1980, muitos historiadores aproximaram-se dos sujeitos e objetos de investigação da Antropologia. O encontro da História com a Antropologia foi significativo para a compreensão da própria noção de história, cuja existência se iniciava, segundo a maioria das obras didáticas, apenas após a invenção da escrita. Essa tendência renovou a história das mentalidades e, sobretudo, a “velha história das ideias”, inserindo-as em uma perspectiva preocupada não apenas com o pensamento das elites, mas também com as ideias e confrontos de ideias de todos os grupos sociais.

(Circe M.F. Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos, 2005. Adaptado)

O excerto faz alusão

  • A ao ressurgimento do eurocentrismo.
  • B à Nova História Cultural.
  • C ao neomarxismo.
  • D à História Imediata.
  • E à autonomia da ciência histórica.