Questões de Documentação Museológica (Museologia)

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Os Gabinetes de Curiosidades se desenvolveram na Europa nos séculos XVI e XVII, inicialmente criados para demonstrar o poderio econômico e a fineza de seus proprietários. Dentre as suas principais características, temos:

  • A a reunião de objetos selecionados pelas suas características peculiares, muitas vezes desconsiderando a qualidade estética ou comprovação de autenticidade histórica dos mesmos.
  • B o grande rigor científico na seleção dos objetos, sendo proibidos itens exóticos e sem procedência atestada.
  • C a reunião das melhores obras artísticas, ajudando a desenvolver as artes na Europa, principalmente em Portugal.
  • D a reunião de obras científicas e artísticas, permitindo a contemplação adequada de todos os bens dispostos nos mesmos e a formulação das técnicas museográficas vigentes até a contemporaneidade.
  • E os objetos podiam ser manipulados, retardando a aura de intocabilidade de muitas obras presentes nos museus contemporâneos.

Uma definição de inventário e a fundamentação legal deste procedimento encontra-se na alternativa:

  • A inventariar significa mapear e relacionar um acervo de maneira sucinta e normatizada., que assegure ao seu proprietário maior segurança, controle e possibilidade de difusão da mesma. Ele está previsto no Art. 216 da Constituição de 1988.
  • B o inventário é um tipo de registro documental criado para receber informações mínimas sobre uma coleção, sistematizado no Decreto-lei no 25 de 1937.
  • C o inventário funciona como uma etapa fundamental e estruturante do trabalho de identificação e documentação de bens culturais, com potencial para servir como instrumento para a pesquisa de acervos. Seu dispositivo é previsto pela Portaria 420, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
  • D inventariar é criar uma identidade. O ato do inventário dá nomes às coisas, preserva-lhes a memória material e conceitual, arruma-os, disponibilizando essa memória num sistema de catalogação. Sua jurisprudência é baseada na Carta de Atenas.
  • E inventariar significa classificar os objetos em classes e subclasses, adotando vocabulário controlado (Tesauro). Foi regulamentado pela lei 9.649, de 1998.

A importância do tesauro numa atividade de catalogação é a seguinte:

  • A o tesauro garante que todos os objetos recebam um tratamento adequado de acautelamento, indicando os locais adequados de sua guarda em exposição e na reserva técnica.
  • B o tesauro permite a documentação adequada do acervo, uma vez que delimita os objetos com maior risco de danos causados pelo mal estado de conservação.
  • C quando feito em consonância com as principais instituições de documentação museológica, o tesauro permite o estabelecimento de um vocabulário controlado, evitando a entrada de itens idênticos com nomenclaturas diferentes.
  • D quando observadas as determinações de instituições como o Getty Research Institute, dos Estados Unidos, e o ICONCLASS, da Holanda, o tesauro facilita no processo de exposição de itens preciosos, pois qualifica suas principais características estilísticas e ornamentais.
  • E o tesauro possibilita a comparação entre bens móveis e bens integrados, ajudando a identificar quando um objeto pertence a uma das sobreditas categorias.

Analise as afirmativas a seguir, relativas à documentação de acervos por imagem.

I. A fotografia não é somente uma forma de documentação visual; ela auxilia na pesquisa, na educação e nas avaliações do estado de conservação. Segundo o sistema de documentação Object ID, a fotografia também é de vital importância na identificação e recuperação de objetos roubados. Para isso, recomenda-se, além de perspectivas globais, fotos de marcas, inscrições, danos ou intervenções de restauração.

II. Toda imagem digital deve ser transferida para o disco rígido do computador, e devem ser realizadas cópias em meio externo, armazenado fora do museu. As fotografias devem estar identificadas com o número de inventário do objeto para facilitar sua localização. Recomenda-se, ainda, manter a fotografia em maior resolução, salva como TIFF, e deixar versões reduzidas, em JPEG, para usos de referência.

III. Para fotografar objetos bidimensionais, a lente da máquina deve estar paralela ao objeto e posicionada no mesmo nível. Objetos tridimensionais requerem fundo com superfície lisa que contraste com o objeto, sem interferir nele. Em alguns casos, recomenda-se uso de iluminação especial, posicionando as luzes de maneiras que mostrem melhor a forma, a textura e os contornos do objeto.

Nesse contexto, pode-se afirmar que

  • A I está incorreta, pois a iluminação para fotografia danifica os objetos, e a circulação das imagens fomenta o tráfico ilícito, sendo, portanto, reduzida ao mínimo, segundo recomendações do sistema Object ID.
  • B II está correta, pois existem recomendações para armazenagem de arquivos “fora do museu”.
  • C III está incorreta, uma vez que o fundo das fotografias para documentação deve ser sempre preto ou branco.
  • D I, II e III estão corretas, pois todas as recomendações são verdadeiras e, além do posicionamento mencionado em III, a imagem deve preencher o máximo possível da objetiva.

Márcia Sant’Anna (2003, p. 46 et seq.) historia o reconhecimento dos bens imateriais pelas políticas de patrimônio nacional e internacional. Nesse processo, a instituição de uma sistemática de registro e inventário no país foi consolidada a partir da criação do Decreto nº 3.551/2000.
Assim, à semelhança dos bens tombados, foram criados os seguintes livros de registro para o patrimônio imaterial, exceto:

  • A Livro de registro dos saberes (para o registro de conhecimentos e modos de fazer).
  • B Livro das celebrações (para as festas, os rituais e os folguedos).
  • C Livro dos lugares do passado (destinado à inscrição de sítios arqueológicos).
  • D Livro das formas de expressão (para a inscrição de manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas).