Questões de Antropologia Social: Família, Sistemas de Parentesco, Matrimônio e Incesto. Organizações políticas em sociedades tradicionais (Antropologia)

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Indígenas participam de marcha após a criação do G9, durante a programação da COP16, em Cali (Colômbia), em outubro de 2024.


Em outubro de 2024, em Cali (Colômbia), no contexto da 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP16), organizações indígenas lançaram duas iniciativas: o “G9 da Amazônia Indígena”, uma coalizão para proteção da floresta nos nove países amazônicos, e o manifesto que pede a participação indígena na presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para novembro de 2025, em Belém (Pará).

A respeito do crescente protagonismo diplomático de lideranças indígenas, as iniciativas citadas exemplificam que:

  • A as comunidades indígenas dos países da Amazônia reivindicam o reconhecimento internacional do fato de que os povos tradicionais são as principais autoridades morais em relação à biodiversidade e à proteção dos biomas e do clima global;
  • B as demandas soberanistas das comunidades indígenas pautam-se na afirmação de seus territórios como Estados centralizados e, portanto, sujeitos das relações internacionais;
  • C a diplomacia indígena foca no direito à terra, à autodeterminação e à proteção ambiental enquanto interesses nacionais dos nove estados da Amazônia;
  • D os líderes comunitários falam em nome dos interesses geoestratégicos, econômicos e ambientais dos respectivos governos, uma vez que precisam acionar o direito e os acordos internacionais de que seus países são signatários;
  • E as pautas indígenas são veiculadas mediante estratégias do ativismo político tradicional, utilizando canais como sindicatos e organizações de trabalhadores, além de manifestações públicas e greves.

Em A Sociedade contra o Estado (1974), o filósofo e etnólogo Pierre Clastres lançou as bases para uma nova antropologia política: “Os povos sem escrita não são menos adultos que as sociedades letradas. Sua história é tão profunda quanto a nossa e, a não ser por racismo, não há por que julgá-los incapazes de refletir sobre a sua própria experiência e de dar a seus problemas as soluções apropriadas. É exatamente por isso que não nos poderíamos contentar em enunciar que nas sociedades onde não se observa a relação de comando-obediência (isto é, nas sociedades sem poder político), a vida do grupo como projeto coletivo se mantém através do controle social imediato, imediatamente qualificado de apolítico. O que precisamente se entende por isso? Qual é o referente político que permite, por oposição, falar de apolítico?” (Adaptado de CLASTRES, P. A Sociedade contra o Estado: pesquisas de antropologia política. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978, p. 16). Com base no trecho, é correto afirmar que a antropologia política defendida por Pierre Clastres:

  • A propõe analisar as sociedades ditas arcaicas com base na filosofia política euro-americana, considerando o poder político em termos de coerção e subordinação;
  • B reafirma a ideia de que a evolução das sociedades deve ser medida pela presença ou ausência do Estado, entendido como modalidade político-administrativa de terras e gentes;
  • C classifica as sociedades ditas primitivas como sem Estado, sem escrita, sem história e sem economia, nas quais o controle é exercido de modo apolítico;
  • D pensa os fundamentos do poder e suas transformações nas sociedades indígenas propondo a retirada da noção ocidental do político do centro da análise;
  • E alarga a noção de política e mostra que o poder coercitivo e as relações de força são universais e imanentes a todas as sociedades.

No artigo Atualização e contraefetuação do virtual: o processo do parentesco, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro propõe o conceito de "afinidade potencial" para explicar as complexas relações entre grupos e entidades nos sistemas de parentesco ameríndios. O autor afirma que: "A afinidade potencial, valor genérico, não é um componente do parentesco (como o é a afinidade matrimonial, efetiva), mas sua condição exterior. Ela é a dimensão de virtualidade de que o parentesco é o processo de atualização” (Viveiros de Castro, 2000, p. 412). Em diversas sociedades amazônicas, a afinidade potencial:

  • A configura o campo relacional a partir do qual o parentesco se atualiza;
  • B é um conceito análogo a "natureza" no pensamento ocidental, representando um domínio oposto à “cultura";
  • C é uma força desagregadora que ameaça a ordem social e invariavelmente gera guerras e conflitos entre os grupos indígenas;
  • D limita-se às relações de parentesco, definindo os laços entre grupos por meio do casamento e da consanguinidade;
  • E restringe-se à esfera matrimonial, expressa na preferência por casamentos entre primos cruzados como forma de garantir a reprodução social e a circulação de bens.

Em As estruturas elementares do parentesco (1949), Claude Lévi-Strauss desenvolveu uma teoria sobre a proibição do incesto e suas implicações para a estruturação das sociedades humanas. Conforme a proposta do autor, a proibição do incesto não é nem puramente de origem cultural nem puramente de origem natural, e também não é uma dosagem de elementos variados tomados de empréstimo parcialmente à natureza e parcialmente à cultura. Segundo Lévi-Strauss, a proibição do incesto:

  • A restringe as relações sexuais a um círculo limitado de indivíduos, garantindo sua superioridade social;
  • B visa a proteger a espécie humana das consequências genéticas negativas dos casamentos consanguíneos;
  • C fortalece os laços de parentesco dentro do grupo familiar, consolidando a família como núcleo social fundamental;
  • D é uma regra universal dos sistemas de parentesco difundida a partir de populações originárias ameríndias;
  • E é uma regra universal que marca a transição da natureza para a cultura, estabelecendo a troca e a reciprocidade como fundamentos da sociedade.

O povoamento do Cariri cearense ocorreu a partir do ciclo da “civilização do couro” dos séculos XVII e XVIII. A partir do enunciado, pode-se afirmar que:

  • A A criação do gado, no vale superior e médio do São Francisco, foi a principal atividade econômica no interior nordestino.
  • B O desenvolvimento da pecuária nos sertões consistia apenas numa atividade complementar à atividade canavieira.
  • C Nos fins do século XVI, o governo do arcebispo Frei Manuel da Nóbrega deflagrou guerra contra os povos indígenas que habitavam o vale do São Francisco e Rio Grande do Norte.
  • D Sob a jurisdição da Bahia, coube a responsabilidade de liderar o combate aos nativos aos capitães André Pinto Correio e Pedro Aranha Pacheco.
  • E André Pinto Correio e Pedro Aranha Pacheco se deslocaram para Pernambuco, auxiliados pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, e combateram a sociedade indígena desse local.